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Guerra no Oriente Médio – o potencial destrutivo

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Desde o ataque terrorista do Hamas, Israel não mede esforços em colocar em operação todo o seu poder militar – um arsenal com mais de 2 mil tanques e mais de 300 aeronaves de combate. E conforme o exército israelense ataca e acumula corpos na Faixa de Gaza, atores internacionais se posicionam no xadrez da geopolítica: sejam eles grupos armados como o Hezbollah, sejam países vizinhos como Arábia Saudita e Irã, ou ainda grandes potências globais, caso de EUA e Rússia. E novamente acende-se o alerta sobre o risco de uma escalada do conflito para patamares inéditos. Para avaliar esse risco e descrever a força militar dos envolvidos na guerra, Natuza Nery recebe Vitelio Brustolin, professor de relações internacional da UFF e professor adjunto na Universidade de Columbia (EUA), e também pesquisador da faculdade de Direito de Harvard. Neste episódio: - Vitelio compara o poder bélico de Israel e do Hamas. Ele lembra que Israel é um dos países que mais investe em força militar e conta com um exército com mais de 600 mil integrantes, entre militares ativos e reservistas - além de ser ambíguo sobre a posse de armas nucleares. “Do lado do Hamas, a estimativa é que sejam 30 mil terroristas no meio de uma população de 2 milhões de pessoas na Faixa de Gaza”, afirma; - Ele explica por que os escombros das construções em Gaza e os cerca de 500 quilômetros de túneis subterrâneos podem ser o maior desafio para a incursão terrestre do exército israelense: “É uma guerra 360 graus, e as forças armadas podem sofrer todo tipo de emboscada”; - Vitelio também fala sobre o aumento das tensões na fronteira norte de Israel com o Líbano, onde o grupo armado Hezbollah ameaça entrar na guerra em favor do Hamas – ambos financiados pelo regime iraniano. “Não é do interesse do Irã entrar nessa guerra, mas não interessa ao país a aproximação de nações árabes com Israel”, analisa; - O professor sentencia que “não é do interesse de ninguém que a guerra escale”. Isso porque a região é rica em petróleo, é rota de 90% do comércio mundial em via marítima e já há uma grande guerra (a da Ucrânia) que põe a Europa em risco: “A erosão da diplomacia poderia levar a humanidade a uma 3ª guerra mundial”.

A Argentina às vésperas da eleição

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No próximo domingo (22), os argentinos vão às urnas para escolher um novo presidente. Com a economia deteriorada – a inflação supera 100% ao ano – e depois de ver fracassar governos de direita (com Mauricio Macri) e de esquerda (com Alberto Fernandez), o eleitorado argentino flerta com um candidato que se posiciona contra tudo e contra todos: a grande estrela da campanha presidencial é Javier Milei, economista ultraliberal de extrema-direita. Milei aparece à frente nas pesquisas antes do primeiro turno. Em segundo lugar está Sérgio Massa, ministro da Economia do presidente Alberto Fernandez que, por brigas internas, sequer disputa a reeleição. Para entender os favoritos no domingo e os rumos políticos e econômicos da Argentina, Julia Duailibi conversa com Ariel Palacios, correspondente da Globo em Buenos Aires. Neste episódio: - Ariel aponta o que faz desta eleição diferente e explica que o fato de o candidato governista Sergio Massa ter ficado em terceiro lugar nas prévias representou “um choque para o peronismo”, algo que nunca aconteceu antes. “Para o peronismo é um trauma fora do normal”, diz; - O correspondente lista as peculiaridades de Javier Milei, candidato que chegou à política “pelas vias mais absurdas”; - Ariel explica como, apesar da catástrofe econômica, o ministro da Economia Sergio Massa se viabilizou como candidato do peronismo; - E conclui que, independentemente de quem for eleito, “a Argentina vai afundar mais na crise, não há saída a curto ou médio prazo”.

Israel x Palestina: a história do conflito

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O ataque terrorista do Hamas sobre o território israelense deu início a mais um capítulo de uma disputa milenar pelo controle da região que é berço das três maiores religiões ocidentais. Para abordar e explicar essa história de expulsões, perseguições, conflitos militares e terrorismo, Julia Duailibi entrevista Guilherme Casarões, professor da FGV-SP, doutor em ciência política, mestre em relações internacionais com especialização em nacionalismo judaico e pesquisador convidado da Universidade de Tel Aviv. Neste episódio: - Casarões recupera a história de milênios de ocupação de Jerusalém e seus arredores. Ele lembra que a tradição judaica reivindica mais de 5 mil anos no local que hoje compreende o Estado de Israel; mas que também os palestinos argumentam que já estavam lá desde os cananeus, há 10 mil anos; - Ele aponta que o início do conflito moderno se deu na virada do século 19 para o século 20, num momento em que despontam o sionismo e o nacionalismo árabe: “É quando começam aparecer os projetos nacionais como projetos políticos”. E completa que a disputa escala de nível com o plano de partilha proposto pela ONU para a criação dos Estados israelense e palestino - o que nunca aconteceu; - O professor descreve os efeitos das guerras dos Seis Dias (1967) e do Yom Kippur (1973) na formulação “da dinâmica que rege até hoje esse conflito” - com a primazia do domínio israelense sobre o território -, e como elas repercutiram para o crescimento da Organização para a Libertação Palestina; - Casarões explica as duas principais tentativas de acordo de paz entre Israel e os Estados árabes. O primeiro no Camp David (EUA) ao fim da década de 1970 entre Israel e Egito. E o segundo assinado em 1993: o Acordo de Oslo, entre as autoridades israelenses e palestina, definiria a divisão definitiva dos territórios entre os dois Estados. Nos dois casos, o processo de entendimento foi interrompido pelo assassinato de lideranças políticas por extremistas; - Por fim, ele comenta o aumento das tensões resultante da eleição do grupo terrorista Hamas como representante do povo palestino da Faixa de Gaza – resultado da única eleição realizada por lá, em 2006: “Vira uma guerra interna entre o Hamas e o Fatah” - organização palestina moderada.

A vida em Gaza durante a guerra

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Imediatamente depois de o Hamas cometer os atentados terroristas contra a população de Israel no último sábado, forças israelenses responderam com ataques à Faixa de Gaza. O território de 365 km² abriga 2 milhões de pessoas e tem um dos maiores adensamentos populacionais do mundo. A região, comandada pelo Hamas, é alvo de embargos de Israel. E desde segunda-feira está sob o que o premiê israelense chama de “cerco completo”: há cortes de luz, de água e até de comida. Para entender a situação da região que lida há anos com uma grave questão humanitária, O Assunto reuniu o depoimento de dois palestinos que vivem as consequências diretas da guerra entre Hamas e Israel. Hasan Rabee mora em São Paulo e foi até Gaza visitar a mãe. Abud Zaki viveu no Brasil por 9 anos e resolveu voltar a Gaza em junho do ano passado. Além deles, Julia Duailibi conversa com Adriana Carranca, jornalista brasileira que esteve em Gaza em 2010. Neste episódio: - Hasan e Abud relatam como suas famílias reagiram aos primeiros bombardeios. Abud lembra que em outros conflitos, havia aviso prévio de que haveria um ataque em determinada região, mas que agora “eles não avisam e só jogam a bomba”. Hasan conta que tenta acalmar as filhas de 3 e 5 anos “mentindo que o barulho das bombas são barulhos de festa”; - Os dois também descrevem a dificuldade em ter acesso a água potável, energia elétrica, internet e até comida. “Está tudo fechado, e quem anda na rua pode ser morto porque cai bomba em todo o lado”, afirma Hasan. “O povo vai morrer de fome e de sede, aqui não tem nada”, resume Abud; - Adriana detalha as diferenças entre os dois lados do muro que divide Israel e a Faixa de Gaza – e informa como funcionam os túneis subterrâneos usados pelos palestinos para promover mercados informais. Ela também explica por que os palestinos vivem “em situação de prisão a céu aberto”, sem autorização para deixar a região; - Ela afirma que “a maioria da população em Gaza não apoia o Hamas” e destaca que também em Israel houve uma série de protestos contra o atual governo de extrema-direita “responsável pela política de negar aos palestinos o seu Estado”.

O Brasil no topo da ginástica artística mundial

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O Mundial de Ginástica Artística da Antuérpia, na Bélgica, colocou de vez a equipe brasileira na elite do esporte. Rebeca Andrade liderou as conquistas com 5 medalhas – um recorde para o Brasil. Ela subiu ao topo do pódio no salto sobre a mesa, vencendo a multicampeã Simone Biles (EUA), e levou para casa mais uma de bronze (na trave) e três de prata: no individual geral, no solo e na competição por equipes – medalha inédita para o esporte brasileiro. O time completo teve participação de Flávia Saraiva (que também obteve bronze no solo), Lorrane Oliveira, Jade Barbosa, Júlia Soares e Carolyne Pedro. Para entender o ineditismo das marcas conquistadas pelas ginastas brasileiras, Julia Duailibi conversa com Daiane dos Santos, primeira brasileira a conquistar o ouro na competição em 2003. Neste episódio: - Daiane descreve como Rebeca Andrade é a “representatividade de todo esforço e garra do esporte”, o que faz dela uma atleta excepcional. “A Rebeca é tão enaltecida hoje quanto a Simone Biles”, afirma; - Ela fala ainda sobre o papel de Flávia Saraiva e Jade Barbosa, duas ginastas fundamentais para a prata inédita no Mundial. Para Daiane, “Jade tem um olhar de liderança” e Flávia é dona de uma “ginástica linda, com personalidade carismática, que alegra a contagia”; - A comentarista analisa em quais condições o Brasil vai chegar aos Jogos Olímpicos de Paris, no ano que vem: será vista como a segunda melhor equipe do mundo. “Com certeza a seleção vai buscar mais resultados e quebras de recordes”, afirma; - Daiane, uma das responsáveis pela popularização do esporte no país, comenta também os desafios para a ginástica brasileira. “A gente precisa das portas do esporte abertas com projetos sociais e espaços públicos”, afirma. E conclui: “é difícil você saber que tem talento sem você ter o direito de fazer parte do esporte”.

Israel x Hamas – guerra no Oriente Médio

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Eram 6h30 de sábado - um dia sagrado para os israelenses – quando os ataques aéreos do Hamas começaram. Milhares de mísseis foram lançados a partir da Faixa de Gaza. Uma hora depois, homens armados do grupo invadiram Israel por terra e pelo ar. Centenas de israelenses foram mortos e dezenas foram feitos reféns. Em resposta, o governo de Israel declarou estar em guerra contra o grupo, um conflito que será “longo e difícil”, como declarou o premiê Benjamin Netanyahu. Até a noite de domingo, mais de 1.000 mortes tinham sido confirmadas. Para entender o ineditismo da ofensiva do Hamas e as possíveis consequências da guerra em curso no Oriente Médio, Julia Duailibi conversa com Guga Chacra, comentarista da Globo, da GloboNews e colunista do jornal O Globo. Neste episódio: - Guga aponta como o avanço do Hamas expõe uma “falha gigantesca” dos serviços de inteligência de Israel: “Nunca vi nada parecido ou próximo do que aconteceu no sábado”, diz. Para Guga, os ataques são o segundo maior atentado terrorista do século 21, “uma mistura de 11 de setembro com Bataclan”, citando atentados nos EUA e na França; - Ele analisa como esta é “a maior derrota militar para Israel em 50 anos”. E diz que, depois de passado o conflito, o governo Netanyahu vai pagar “um preço muito caro” pelas falhas que possibilitaram a ofensiva do Hamas, grupo que sai mais forte depois deste fim de semana; - Guga aponta o que chama mais atenção na ofensiva do Hamas: “é importante ter a dimensão do que está acontecendo”, diz, ao citar a megaoperação terrorista levada a cabo pelo grupo extremista armado. “Pessoas foram mortas com crueldade”; - Ele conclui como em Netanyahu deve se fortalecer em um primeiro momento após os ataques, mas que inevitavelmente o governo do premiê ficará “impraticável. Uma hora vai chegar a conta”, afirma.

Médicos executados: crime bárbaro no Rio

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30 segundos, mais de 30 tiros. Uma execução a queima roupa durante a madrugada. As vítimas: três médicos, além de um sobrevivente que ficou ferido, que estavam em um quiosque à beira-mar. O grupo estava na cidade para participar de um congresso e foi assassinado a na orla da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, reduto de milícias. Investigadores apontam que o grupo foi morto por traficantes por engano - uma das vítimas teria sido confundida com um miliciano jurado de morte. Para entender as motivações do crime, as linhas de investigação e o significado das execuções para a segurança do Rio, Julia Duailibi conversa com os jornalistas Cesar Tralli e Octavio Guedes. Neste episódio: - Tralli lista detalhes do crime, as linhas de investigação e como logo nas primeiras horas após as mortes foi levantada a hipótese de que as vítimas foram confundidas. Ele relata que, para os investigadores, os criminosos atacaram “de forma atabalhoada, sem planejamento”; - Tralli explica como será a cooperação entre as polícias do Rio, de São Paulo e a Polícia Federal para esclarecer o crime. “É uma divisão de tarefas que é um trabalho de formiguinha fundamental para esclarecer” o crime, diz. Segundo ele, investigadores acreditam que por trás das mortes está o confronto entre milicianos; - Octavio fala como a Barra da Tijuca, região onde as milícias nasceram e cresceram, é “o local preferido para as execuções do escritório do crime”. E ponta que, “estranhamente, ou coincidentemente, a ausência de policiamento ostensivo ajuda” na existência deste tipo de crime; - Octavio conclui analisando como toda engrenagem da segurança pública do Rio “é feita para não funcionar”. Para ele, cada vez mais “o crime se infiltra nos poderes políticos” do Estado e a ideia do governador Claudio Castro sobre segurança pública é errada. “Não existe a ideia de criar bolhas de segurança numa cidade degradada pelo crime”.

O caos no Congresso dos EUA

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Em medida inédita, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos destituiu seu presidente. O republicano Kevin McCarthy enfrentou uma rebelião de colegas de extrema direita do partido, e 8 votos foram decisivos. O cargo deve ficar vago até 11 de outubro. Mas, até lá, os trabalhos na Casa ficam congelados, pressionando ainda mais o já instável governo do presidente Joe Biden. Para entender as causas da deposição inédita do presidente da Câmara e o que isso representa para a eminente disputa presidencial no país, Julia Duailibi recebe Carlos Poggio, professor do Departamento de Ciência Política do Berea College, no estado americano do Kentucky. Neste episódio: - Carlos expõe como a situação de McCarthy à frente da Câmara sempre foi complicada. O republicano demorou 15 rodadas para ser eleito presidente da Casa, com seu partido tendo “maioria magra” no parlamento. “De alguma forma estava destinado a ser uma presidência bastante fragilizada”, afirma, com o Partido Republicano em estado de “completa desordem”; - O professor fala do papel do deputado trumpista Matt Gaetz e de outros 7 republicanos na queda do colega de partido. Para ele, os deputados de extrema direita que votaram pela destituição de McCarthy buscam “se posicionar dentro do partido para se consolidar” em seus distritos eleitorais, copiando a estratégia do ex-presidente Donald Trump. “O importante é conseguir a atenção e que se fale deles”, diz; - Carlos comenta o “vácuo de poder” no Congresso e como fica a governabilidade: sem um presidente, a Câmara fica paralisada, no momento em que há “pressão do relógio” por decisões importantes, como ajuste no orçamento para manter o governo funcionando. “Fica claro como o processo de polarização política extrema é prejudicial”; - Ele conclui falando das consequências na disputa presidencial de 2024, quando Joe Biden e Donald Trump podem voltar a se enfrentar. Para ele, as consequências de um Congresso parado podem ser uma má notícia para Biden, presidente que vive um momento de turbulência também na área econômica. Mas pondera que eleitores independentes podem ver no Partido Republicano “uma completa desordem provocada pelo trumpismo”, afastando votos decisivos na disputa eleitoral.

Constelação familiar - o uso no Judiciário

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Criada pelo alemão Bert Hellinger, a prática considera que cada pessoa precisa se manter em uma posição determinada dentro de uma família para que as relações sejam harmoniosas. A teoria leva em consideração 3 leis: do pertencimento, da hierarquia e do equilíbrio. Sem comprovação científica, a terapia é usada há mais de dez anos pelo Judiciário para resolver conflitos em Varas da Família. Na prática, a constelação familiar tem gerado controvérsias, com projetos em discussão no Congresso e em assembleias estaduais. Nesta semana, o ministro Silvio Almeida enviou um pedido ao Conselho Nacional dos Direitos Humanos para debater possíveis abusos da prática. Para entender o que é esse tipo de terapia, como ela vem sendo usada pela Justiça e possíveis consequências, Julia Duailibi conversa com Silvia Haidar, repórter do jornal Folha de S. Paulo, e com Mateus França, mestre em Direito, que estuda o uso das constelações no campo jurídico brasileiro. Neste episódio: - Silvia explica o que é a técnica terapêutica que mistura psicodrama, o autoconhecimento e autoconsciência, e referências de zulus que viviam na África do Sul. “O criador se baseou em três leis do amor”, sem as quais criam-se conflitos familiares. E cita que o Conselho Federal de Psicologia destaca “incongruências éticas” na prática; - Mateus detalha como funciona a técnica: “o constelado, a pessoa cujo sistema familiar está sendo analisado”, o constelador, responsável por analisar a realidade do constelado, e os representantes, que cumprem o papel de dar vida até a pessoas mortas, sentimentos e objetos do paciente em análise. “Existem constelações em que o representante é uma pessoa, um boneco ou até animais”, relata; - Ele fala como a constelação é usada no Judiciário e o papel do juiz na mediação de conflitos. “Não existe um padrão de como é aplicado, o que é um problema”, diz. E analisa como o uso da técnica na mediação de conflitos "vai na contramão de vários avanços em matérias de direito da família”; - O pesquisador conclui sobre a necessidade de se debater o uso da constelação familiar em decisões judiciais. Para ele, em muitos casos o discurso da constelação reforça violências, “em vários casos ele coloca parte da responsabilidade no comportamento da vítima”, afirma.

Fraude na Amazônia em créditos de carbono

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Reportagem exclusiva do g1 revelou que empresas particulares estão usando terras públicas na Amazônia para emitir créditos de carbono. A fraude acontece no município de Portel, na Ilha do Marajó (Pará), região visitada pelos repórteres Isabel Seta, Taymã Carneiro e Giaccomo Voccio. É lá onde ribeirinhos disseram não ter sido beneficiados pela venda de créditos de carbono a empresas multinacionais. Para entender o que são os créditos de carbono, em que pé estão as propostas de regulação deste mercado no Brasil e o que dizem os envolvidos, Julia Duailibi conversa com Isabel Seta, repórter do g1. Neste episódio: - Isabel explica as irregularidades envolvidas na fraude cometida por três empresas que são alvo de ação da Defensoria Pública do Pará por “prática ilícita de grilagem”. Ela afirma que este é “um problema fundiário, mas também de violação territorial”, já que comunidades tradicionais têm direito à terra e deveriam ter sido consultadas sobre os projetos; - Ela descreve como é Portel, um dos maiores municípios do Pará, cuja área equivale quase ao tamanho de Alagoas. A cidade é cortada por muitos rios: “é tanta água que parece mar, não parece rio”, diz. Com a população rural vivendo na beira de igarapés e de rios, em casas de palafita e percorrendo grandes distâncias de barco; - Isabel detalha como funciona o mercado de carbono no Brasil e qual o status da discussão no Congresso para que haja uma regulamentação. Há um projeto de lei na Comissão de Meio Ambiente do Senado e, segundo declarações do presidente da Casa, o texto deve ser enviado para votação em Plenário; - A jornalista conta bastidores da apuração e da viagem ao Pará, onde ela e outros dois repórteres sofreram “abordagens estranhas”, de uma pessoa que sabia o tema da apuração, mesmo sem ter sido contatada pelo grupo. “É a Amazônia, com olhos e ouvidos em todos os lugares. Nos sentimos vigiados”.

Escravidão e reparação histórica

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Cerca de 5 milhões de africanos desembarcaram no Brasil na condição de escravizados entre os séculos 16 e 19. Por mais de 300 anos, o desenvolvimento do país se deu à base de mão-de-obra forçada, num negócio altamente lucrativo, sobre o qual instituições brasileiras centenárias construíram o sucesso que mantém suas reputações até hoje. Uma ação inédita do Ministério Público Federal notificou o Banco do Brasil sobre a abertura de um inquérito para investigar o envolvimento do banco no mercado escravagista. A existência da ação foi revelada com exclusividade por reportagem da BBC News Brasil. Para discutir o processo de reparação histórica de instituições que fomentaram ou participaram ativamente deste crime contra a humanidade, Natuza Nery conversa com Leandro Machado, repórter que primeiro revelou a ação do MPF, e com o historiador Clemente Penna, da Universidade Federal de Santa Catarina e da Fapesc, Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina. Neste episódio: - Clemente explica que o sistema financeiro brasileiro se sustentou no século 19, em grande parte, por meio de ativos vindos do mercado de escravizados, e que o chamado “segundo Banco do Brasil”, criado na década de 1850, “surgiu para alocar dinheiro antes investido no tráfico [de escravos] de volta para o mercado”; - O historiador lista acionistas e diretores do banco à época e que tinham ligação com o processo de escravidão e tráfico de escravos. “Pela maneira que a economia funcionava, eles tinham liquidez, tinham dinheiro”, o que era importante para os traficantes ganharem títulos de nobreza e ocupar cargos. Tudo com o Estado fazendo vistas grossas; - Leandro diz que o MPF procura entender a atuação do Banco do Brasil no processo de escravização no século 19. Ele relata que o banco tem 20 dias para responder se reconhece a ligação com traficantes de escravizados, se financiou esses traficantes e o que pretende fazer daqui em diante sobre o tema; - O jornalista ainda explica como este caso dialoga com o debate sobre reparação histórica ligada à escravidão, “que vem acontecendo em outros países, principalmente nos Estados Unidos e na Inglaterra”, e como este movimento tem gerado investimentos em pesquisas e criação de políticas públicas de reparação financeiras a famílias de escravizados.

Enem: apostas e preparação na reta final

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Porta de entrada para o Ensino Superior, o Enem está marcado para os dias 5 e 12 de novembro. São 90 questões e uma redação. Nos últimos três anos, o tema da redação tinha aparecido em episódios de O Assunto: desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil, invisibilidade e registro civil – garantia de acesso à cidadania no Brasil, e o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira. Para entender o que a prova de 2023 pode exigir dos candidatos e quais temas são apostas para a prova, Natuza Nery conversa com Thiago Braga, professor e autor de materiais de redação do sistema de ensino PH. Neste episódio: - O professor explica como o conhecimento sobre atualidades é imprescindível: “a redação do Enem quer medir o repertório sociocultural que o aluno adquiriu ao longo de toda sua formação”, diz; - Thiago aponta temas possíveis para a redação e alerta que os assuntos sempre aparecem com enfoque nos problemas relacionados à realidade brasileira. “A prova ganhou status de muito cidadã, voltada para questões sociopolíticas e comportamentais da nação brasileira”, afirma; - Ele detalha a formação da nota da redação, dividida em 5 competências que valem 200 pontos cada. “O aluno só alcança a nota máxima se conseguir incluir repertório sociocultural”, daí a importância de citar referências como filmes, livros, materiais jornalísticos e até músicas; - Thiago conclui dando dicas de como se preparar na reta final antes do exame. “Ainda dá para fazer revisões específicas”, afirma. Mas, nos dias imediatamente anteriores, segundo ele, é hora de relaxar: “descanso também é treino”, afinal o Enem é uma prova de resistência.

O risco de um novo genocídio armênio

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Desde o fim da União Soviética, em 1991, Azerbaijão e Armênia disputam o controle de Nagorno-Karabakh — região internacionalmente reconhecida como território azeri, mas de população de maioria etnicamente armênia. Armênios que consideram a área como sua pátria ancestral. Em 1994, separatistas tomaram o poder, dando início a uma série de conflitos armados que se arrastam há mais de 30 anos. No capítulo mais recente, uma operação relâmpago das forças azerbaijanas retomou Nagorno-Karabakh, forçando o êxodo de mais de 50 mil armênios, quase metade da população local. À Armênia, o conflito não representa apenas uma disputa internacional, mas o resgate de uma memória traumática de seu povo, vítima do genocídio conduzido pelo império Turco-Otomano, no começo do século 20, responsável pela morte de cerca de 1,5 milhão de pessoas. O temor é de que uma nova limpeza étnica se avizinhe. Para entender a disputa em Nagorno-Karabakh e a tensão permanente na região do Cáucaso, Natuza Nery conversa com Filipe Figueiredo, graduado em história pela Universidade de São Paulo e autor do podcast Xadrez Verbal. Neste episódio: - Filipe, que esteve na Armênia em abril, relata como a ofensiva atual do Azerbaijão é vista pelos armênios como “uma retomada do genocídio de 1915, um trauma nacional coletivo”; - Ele conta que a operação das forças do Azerbaijão durou 24h, até que houvesse “uma intervenção diplomática, conduzida especialmente pelos Estados Unidos, que orientou a rendição das forças de autodefesa armênias na região”; - Filipe explica a principal reinvindicação dos armênios de Nagorno-Karabakh: eles “não tiveram direito à autodeterminação” no processo de elaboração das fronteiras após o fim da União Soviética, já que foram ignorados dois referendos em que a população local escolheu ser parte da Armênia; - O historiador também aponta o risco de que o conflito ganhe um novo capítulo, relacionado a Nakhchivan, enclave do Azerbaijão separado do resto do país pela Armênia, que liga a região a outras de influência turca.

Punição de militares por atos contra democracia

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O envolvimento de militares nos atos golpistas de 8 de janeiro foi pauta de reunião entre o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e os comandantes do Exército e da Aeronáutica. Desde janeiro o chefe do Exército prometeu punir militares por participação no atentado à democracia. Mas até agora nenhum oficial de alta patente foi responsabilizado. Para entender os caminhos e a importância de punir militares – tanto na Justiça comum quanto na militar, Natuza Nery conversa com o advogado constitucionalista Jorge Folena, e com o historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, professor da UFRJ que foi assessor do Ministério da Defesa por quase 20 anos. Neste episódio: - Jorge explica os crimes envolvidos nos ataques e os mecanismos para punir os oficiais de alta patente: “não é um delito militar, é um delito de natureza comum”, diz, portanto cabe à Justiça comum julgá-los criminalmente. Ele explica, no entanto, que a Justiça Militar pode analisar os casos e caçar as funções dos envolvidos; - Franciso Carlos analisa o atual ambiente político para uma eventual punição: “nunca foi tão favorável e oportuno prender pessoas que tenham atentado ao estado democrático de direito”, afirma; - O historiador conclui sobre a importância de punir militares que atentam contra a democracia, algo que não aconteceu no pós-ditadura. “[Punir] tem um papel pedagógico. Estão dizendo que daqui em diante atentados contra o estado de direito não serão mais tolerados”, conclui.

Perdão a partidos políticos: a boiada eleitoral

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Uma proposta de emenda à Constituição que livra partidos de punição por irregularidades na prestação de contas deve ser votada nesta terça-feira na Câmara. Se aprovada, será impossível rastrear R$ 23 bilhões em dinheiro público gastos por legendas, segundo cálculo de entidades da sociedade civil. Mas não só: o texto coloca em risco a diversidade no poder Legislativo. Especialistas criticam a PEC, que, somada ao projeto de lei chamado de ‘minirreforma eleitoral’, pode significar “a maior anistia da história dos partidos”. Para entender o que está em jogo, Natuza Nery conversa com Marcelo Issa, diretor-executivo do movimento Transparência Partidária. Neste episódio: - Marcelo classifica a construção do texto da PEC como “bastante engenhoso”, com a existência de um dispositivo que “passa a borracha” em irregularidades identificadas em contas dos partidos. "Estamos falando de uma soma bilionária de dinheiro público que poderia ficar sem fiscalização”, diz; - Ele aponta as diferenças e semelhanças entre a PEC e o que vem sendo chamado de “minirreforma eleitoral”, um projeto de lei já aprovado na Câmara e que agora está no Senado. “O espírito dos dois textos é bastante semelhante, lotado de retrocessos”, afirma, ao citar como prejudicam o repasse de recursos para candidaturas de negros e abrem brecha para que legendas lancem apenas homens como candidatos; - Marcelo analisa como parlamentares de todos os espectros ideológicos partidários, da direita à esquerda, apoiam a proposta, em um raro consenso. “Enquanto não percebermos que os partidos são centrais para o aprimoramento da democracia”, diz, “dificilmente vamos avançar” em mecanismos de inclusão e diversidade na política e na sociedade; - Ele conclui como o momento atual é “confortável para os partidos”, com o crescimento exponencial de dinheiro público destinado às legendas, vindo dos fundos Partidário e Eleitoral, enquanto os mecanismos de controle e transparência sofrem um processo de esvaziamento.

Fentanil e a crise dos opioides nos EUA

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São cerca de 300 mortes por dia provocadas por overdose da substância - o que soma mais de 100 mil óbitos em apenas um ano. O fentanil está entre as 10 principais causas de morte nos EUA e na semana passada matou por intoxicação um bebê de 1 ano. Uma espécie de epidemia que já dá sinais de que pode chegar ao Brasil, que neste ano registrou em fevereiro a primeira apreensão da substância nas mãos de traficantes. Para explicar os usos do fentanil e seus riscos para a saúde, Natuza Nery entrevista o médico Francisco Inácio Bastos, pesquisador titular do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocruz. Neste episódio: - Francisco aponta as funções médicas do fentanil, originalmente desenvolvido para medicina intensiva, medicina paliativa e oncologia. No uso ilegal feito nas ruas, conta, a substância é “macerada, transformada em pó e misturada com as coisas mais variadas possíveis” - muitas vezes, em drogas como heroína e cocaína para aumentar seu poder de vício; - O médico detalha de que modo o fentanil atua no corpo humano: funciona como um depressor respiratório e, caso administrado em excesso, pode afetar o fornecimento de oxigênio ao cérebro e até resultar em parada respiratória. “O efeito pode ser letal em tempo muito curto”; - Ele alerta para os riscos de um surto de consumo de fentanil no Brasil, uma droga de difícil detecção e que está sendo misturada com outras, mas avalia que o país está reagindo melhor ao problema do que os EUA: “O Brasil tem sistema de regulação nacional centralizado e mais eficiente”; - Francisco também comenta a epidemia de fentanil nos EUA, principalmente na região de São Francisco, cidade que tem uma “cracolândia de 4 a 5 vezes maior que a de São Paulo”.

Epidemia invisível: abusos contra PCDs

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Em entrevista recente, a ex-ginasta brasileira Laís Souza, que representou o país nos Jogos Olímpicos de 2004 e 2008, revelou viver uma realidade de medo e violência desde que sofreu um grave acidente em 2013 e ficou tetraplégica. Laís relatou que já sofreu violência sexual por cuidadores – nos últimos 3 anos, as denúncias desse tipo de crime contra PCDs aumentaram mais de 5 vezes no Disque 100. Para dar seu depoimento pessoal e analisar a fragilidade da sociedade brasileira na proteção dos PCDs, Natuza Nery entrevista Ana Rita de Paula, psicóloga e doutora pela USP, autora do livro “Sexualidade e deficiência - rompendo o silêncio” - ela nasceu com atrofia muscular espinhal e é tetraplégica. Neste episódio: - Ana Rita afirma que os casos de crimes de abuso contra PCDs são muito mais recorrentes do que registram os dados oficiais. E isso acontece, explica, ainda que muitas mulheres PCDs sejam vistas pela sociedade como pessoas “assexuadas”. “Os abusadores não são motivados pelo desejo sexual, mas pela submissão do outro”, afirma; - Ela comenta os dados da violência que incide sobre a população de pessoas com deficiência: a maioria dos crimes é cometida por membros da família e cuidadores. E justifica porque a escola e as forças de segurança precisam estar bem treinadas para atender a estes casos; - Ana Rita analisa como o preconceito em relação à sexualidade de PCDs se impõe como “opressão e violência psicológica”. “E isso ainda responsabiliza a vítima por sua própria situação de violência”, afirma; - A psicóloga explica o conceito de capacitismo: “É sinônimo de desvalorização”, resume. “Mas não é só isso, significa a expectativa da sociedade que PCDs vençam barreiras sociais sozinhas. É, ao mesmo tempo, ideia que a pessoa seja menos capacitada ou vê-la super responsável por resolver essas questões”, conclui.

Violência e abusos em faculdades de medicina

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As imagens de estudantes de medicina com órgãos genitais à mostra e em gestos obscenos durante jogos universitários geraram revolta e resultaram na expulsão de 7 alunos da Universidade de Santo Amaro (Unisa). Não é a primeira vez que atos violentos acontecem em eventos do tipo: há registro de brigas generalizadas, casos de abuso sexual e um histórico de décadas de agressões e humilhação em trotes – até com registro de morte. Para analisar o ambiente tóxico das faculdades de medicina e propor o que pode mudar, Natuza Nery ouve o médico Drauzio Varella. Neste episódio: - Drauzio reclama da falta de punição para os recorrentes casos de abusos em cursos de medicina, nos quais “crianças mimadas que estão na faculdade se acham os reis do mundo”. Para ele, a publicidade que eventos de violência sexual que envolvem médicos se justifica: “A medicina serve para aliviar o sofrimento humano, e ela não pode impor sofrimento moral e físico nas pessoas”; - Ele cobra os dirigentes de faculdades para que proíbam a realização dos trotes, uma manifestação que classifica como “absurda e antiga, que não tem mais motivo para acontecer”. A avaliação dele é de que as instituições de ensino não podem mais se eximir da culpa de condenar comportamentos violentos e devem assumir sua responsabilidade de “formar cidadãos”; - O médico também critica a quantidade superlativa de cursos de medicina no país - no mundo, somente a Índia tem mais que o Brasil – e a baixa qualidade dos profissionais formados nessas instituições. “Os professores deveriam ensinar ética para seus alunos, mas como vão ensinar aquilo que eles não sabem?”, questiona; - Drauzio, por fim, propõe a criação de filtro similar ao da OAB (Ordem dos Advogados Brasileiros) para os médicos recém-formados. Ele defende que haja um exame a cada dois anos para evitar que profissionais mal preparados atendam em prontos-socorros e para servir de parâmetro para fechar faculdades de baixo nível.

Lula na ONU – o discurso e o impacto internacional

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Como determina a tradição, coube ao presidente brasileiro a abertura da Assembleia Geral da ONU. Nesta terça-feira (19), Lula subiu pela sétima vez à tribuna da sede das Nações Unidas, em Nova York - em 2005 e 2010, o então chanceler Celso Amorim representou o país. Lula concentrou suas falas em quatro eixos: o enfrentamento da fome, a necessidade de uma revisão da governança global, as ameaças à democracia e a urgência em combater as mudanças climáticas. Para entender o que mudou no discurso de Lula nestas duas décadas e como o mundo recebeu as falas do presidente, Natuza Nery entrevista Carlos Milani, professor de relações internacionais da UERJ, sênior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais e coordenador do Labmundo e do Observatório Interdisciplinar das Mudanças Climáticas, e Brian Winter, editor-chefe da revista Americas Quartely, brasilianista e analista de política latino-americana há 20 anos. Neste episódio: - Carlos chama a atenção para a insistência de Lula em temas que acompanham os discursos do brasileiro desde sua estreia na Assembleia Geral da ONU, em 2003: casos do combate à desigualdade e da reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas. “E, agora, a questão ambiental e, com muito mais força, a questão climática, que está vinculada com o tema do desenvolvimento econômico”, afirma; - Ele avalia que o presidente “cumpriu duas funções” ao destacar o combate ao extremismo e a defesa da democracia: mandar um recado para dentro do Brasil e outro contra “a onda conservadora” em todo o mundo; - Para Carlos, Lula acerta ao dizer “o Brasil voltou”, mas acrescenta que “voltou menor”, com menos relevância na economia global e após 4 anos de testes contra suas instituições democráticas. “Hoje o Brasil ocupa uma posição intermediária. O lugar que o país pode ocupar é o de criar pontes entre o mundo desenvolvido e o mundo em desenvolvimento”, resume; - Brian afirma que, ao se posicionar de forma equilibrada sobre temas espinhosos – caso da Guerra da Ucrânia – e se apresentar como um líder do Sul global, Lula fez um discurso que “agradou muito em Nova York, inclusive a seus críticos”. Ele comenta também sobre os encontros que o brasileiro terá com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e com Joe Biden, presidente dos EUA: “Há uma certa decepção, mas eles vêm a necessidade de trabalhar temas comuns com o Brasil”.

Calor extremo – como evitar o colapso do corpo

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Os termômetros registraram seguidos recordes nos meses de julho e agosto, especialmente nos países do Hemisfério Norte, onde ondas de calor causaram tragédias climáticas com centenas de mortes. E agora que o inverno no hemisfério sul chega a sua reta final, as previsões são alarmantes também para o Brasil: essa semana, diversas cidades devem registrar temperaturas superiores a 40°C. Para orientar os brasileiros a se proteger dos riscos do calorão, Natuza Nery entrevista Mayara Floss, médica integrante da Organização Internacional de Médicos da Família e do Instituto de Estudos Avançados da USP, e Rafael Rodrigues da Franca, climatologista e professor e coordenador do Laboratório de Climatologia Geográfica da UnB. Neste episódio: - Mayara descreve como as altas temperaturas podem levar a condições como insolação, convulsões, insuficiência renal e até “ao coma e à morte”. “O nosso corpo vai até o limite e não consegue mais regular a temperatura, colapsa completamente”, resume; - A médica aponta os perfis de pessoas que estão mais suscetíveis às ondas de calor extremo. A lista tem moradores de casas precárias e de regiões com baixa arborização, crianças e idosos, pessoas com problemas de saúde mental e profissionais que atuam em ambientes externos, como agricultores, policiais, operários da construção civil e atletas; - Rafael explica o que são as ondas de calor e por que elas se apresentam de formas distintas nas diferentes regiões do país: “Depende de outras condições atmosféricas, como a umidade relativa do ar e os ventos”. Interferem também as condições urbanas, completa o climatologista; - Ele fala sobre o prognóstico de que os eventos climáticos extremos se tornarão mais frequentes: além de calor, haverá ondas de frio e de seca e períodos de chuvas intensas. “Os sistemas climáticos estão mais explosivos”, conclui.

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