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Israel: protestos históricos e a democracia em xeque

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Há três meses, ondas de manifestantes avançam sobre as ruas de diversas cidades israelenses – um fenômeno que culminou no maior dos atos, com mais de 600 mil pessoas, neste fim de semana, e decretou greve geral. O estopim foi a exoneração do ministro da Defesa, demitido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu depois de se opor à proposta do governo de uma reforma do Judiciário. Netanyahu se uniu aos partidos mais radicais e ultra religiosos para voltar ao poder em novembro do ano passado, após sucessivos escândalos de corrupção. Desde então, acentuou a guinada de Israel à extrema-direita. Para descrever os protestos contra a reforma judiciária e os riscos à democracia e à segurança dos grupos minoritários, Natuza Nery conversa com Paola de Orte, correspondente da GloboNews e do jornal O Globo no Oriente Médio, e com Michel Gherman, professor de sociologia da UFRJ e do Instituto Brasil-Israel. Neste episódio: - Paola narra o clima das ruas de Tel Aviv: o que dizem os manifestantes, os serviços paralisados, a reação da polícia e a ameaça de radicais conservadores. Ela alerta para o risco de que, em breve, "pode ser que comecem os atos de violência"; - A jornalista informa como a proposta de reforma polariza a sociedade israelense, gera oposição até de setores militares e “abala a segurança e a economia do país” - resultado da aliança inédita entre Netanyahu e os grupos extremistas religiosos: “Esse é um momento definidor”; - Michel descreve os “três pontos fundamentais” da reforma do Judiciário: a escolha dos juízes da Suprema Corte, a possibilidade do Parlamento de reverter decisões do Supremo e a perseguição a grupos minoritários. “É um projeto de autoritarismo e ditadura, sem sombra de dúvida”, afirma; - Ele também explica que Israel passa por um “momento inédito”, mas é também a ponta de lança de um movimento transnacional de extrema-direita e neofascista, do qual fazem parte Trump, Orban e Bolsonaro. “Quem vai salvar Israel é a sociedade civil. A extrema-direita perde diante da frente ampla”;

Apostas esportivas: o risco de resultado manipulado

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Um levantamento que monitorou mais de 850 mil jogos de mais de 70 esportes no mundo concluiu que o Brasil foi o país com o maior número de suspeitas de manipulação de resultado no ano passado. O caso mais simbólico é o escândalo de suborno de atletas que atuaram na Série B do Brasileirão em 2022 para interferirem em determinadas partidas – uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Goiás, que cogita também manipulações nos estaduais Gaúcho e Mineiro. Já em Brasília, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), olha para o setor de apostas online como um potencial fonte de recursos para melhorar o ambiente fiscal. Ele anunciou que deve regulamentar e taxar a atividade, que podem gerar até R$ 6 bilhões ao ano em arrecadação. Para explicar todo o universo das apostas eletrônicas, Natuza Nery conversa com Gabriela Moreira, repórter de esportes da Globo que teve acesso a documentos e áudios da investigação do caso da Série B, e com Pierpaolo Bottini, advogado e professor de direito penal na USP.

INÉDITO - Novos dados sobre aborto no Brasil

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Dados inéditos, que serão publicados na Pesquisa Nacional de Aborto – Brasil, revelam que em 2021 o número de mulheres que admitiu ter realizado o procedimento caiu em relação a 2010: são 10% das brasileiras, ante 15% da década passada. O trabalho também identifica que em 52% das vezes, o aborto ocorreu quando a mulher tinha menos de 19 anos. A antropóloga Debora Diniz, uma das autoras do estudo, conversa com Natuza Nery para revelar mais descobertas e análises da pesquisa. Neste episódio: - Debora descreve o perfil da mulher que faz aborto no Brasil: é muito jovem, tem religião e está em todas as classes sociais, cores e regiões do país - mas há concentração em negras e indígenas, de baixa escolaridade e que vivem no Nordeste. “Estamos falando de meio milhão de mulheres por ano”, afirma; - Ela informa que uma a cada duas mulheres finaliza o aborto no hospital, resultado da “insegurança e clandestinidade” do procedimento: “Com a criminalização, não conseguimos cuidar das mulheres”; - A antropóloga alerta para o “aumento nas barreiras para a mulher no sistema de saúde” dos últimos 4 anos. E fala sobre a expectativa para que o atual governo enfrente a questão de direitos reprodutivos como “política de saúde pública”; - Debora também destaca a “maré verde” que tomou a América Latina nos últimos anos, em contraste ao que aconteceu nos Estados Unidos. “Agora é a região do mundo de mais avanço na legislação do aborto”.

Lula rumo à China e a nova relação com Pequim

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A partir do domingo (26), o presidente lidera uma comitiva de ministros, governadores, parlamentares e mais de 200 empresários para o outro lado do planeta. Numa das viagens diplomáticas mais importantes do ano, o governo federal tenta refazer laços com seu principal parceiro comercial – uma relação prejudicada pelo discurso sinofóbico da gestão anterior. Para dimensionar o tamanho da China para a economia brasileira e a posição estratégica dessa relação, Natuza Nery conversa com Fernanda Magnotta, coordenadora do curso de relações internacionais da FAAP. Neste episódio: - Fernanda esclarece o que a China “representa para o Brasil” hoje: além de principal parceiro comercial, realiza investimento em áreas de infraestrutura e é aliado na defesa de mecanismos multilaterais de diplomacia. “É uma viagem importante, estratégica e simbólica”; - Ela descreve os últimos movimentos da “triangulação China-EUA-Brasil": enquanto a economia chinesa avança para ocupar espaço em tecnologia e inovação, Washington passa a ver Pequim como “competidora e concorrente”. “O Brasil é mais um desses espaços de disputa”, afirma; - Fernanda também explica por que uma abordagem “econômica e pragmática” na relação com a China é a melhor para o Brasil. “Temas políticos, como a guerra da Ucrânia, são espinhosos”, conclui.

Juros – como eles afetam você e a economia

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O Comitê de Política Monetária, o Copom, anuncia nesta quarta-feira (22) se mantém a taxa básica de juros no patamar atual. O presidente Lula já demonstrou reiterada vezes que considera “absurda” a manutenção da Selic a 13,75% - maior taxa de juros reais (descontada a inflação) do mundo. A decisão do Copom vale até a próxima reunião do comitê, agendada para o início de maio, e pode ser decisiva para o crescimento do PIB brasileiro. Para explicar a repercussão da taxa de juros na vida real, Natuza Nery recebe o economista Robson Gonçalves, consultor da FGV-SP. Neste episódio: - Robson explica o que é a Selic e a função dos juros na economia. “Pode ser entendido como um remédio contra a inflação”, define, e pondera que, na dose errada, tem “efeitos colaterais como frear o crescimento econômico”; - Ele opina sobre a decisão que será anunciada pelo Copom e aposta que haverá um racha dentro do comitê para manter a Selic ou para baixá-la. “Precisa reconhecer que não temos uma inflação de demanda”, afirma; - O economista também alerta para o perigo da “taxa de juros alta demais” até para o sistema bancário, e comenta a decisão do governo em baixar à força a taxa para o empréstimo consignado do INSS; - Por fim, Robson relaciona como a taxa de juros pode determinar o aquecimento do mercado de trabalho – e o peso que ela tem na decisão de grandes montadoras em congelar a produção.

Lula 3 e a reciclagem de programas petistas

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Nesta segunda-feira (20), o presidente anunciou o retorno do programa Mais Médicos, numa versão repaginada em relação àquele que entrou em vigor na gestão Dilma Rousseff, em 2013. E não foi a primeira repaginada do terceiro mandato. O governo federal relançou o Minha Casa Minha Vida com novidades e começou a pagar o novo Bolsa Família, no valor mínimo de R$ 600. Para detalhar o que os programas têm de diferente e o que motiva a volta dessas marcas petistas, Natuza Nery conversa com Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN. Neste episódio: - Bernardo destaca o aspecto “vale a pena ver de novo” do terceiro mandato de Lula (PT): na falta de uma “marca nova” para esta gestão e diante de uma relação mais difícil com o Congresso e a oposição, o presidente investe em um “passado mais cor de rosa do que realmente era”; - Ele destaca a especificidade do Mais Médicos, que foi lançado no mandato de Dilma e alvo de muitas críticas pelas entidades da categoria. Na nova versão do programa, Lula "reage às críticas do bolsonarismo” e prioriza médicos brasileiros; - O jornalista explica também que o modelo seguido pelo presidente é o do mandato Lula 2 – e como o governo busca evitar ser associado ao governo Dilma. "A fórmula é a mesma”, afirma Bernardo, em relação ao período de 2007 e 2010. “É a ideia que o Estado tem papel importante na economia”.

Dor nas costas – um problema de saúde mundial

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Os sintomas se multiplicam como um contágio. Dores na coluna, na lombar e no pescoço, cuja origem se dá no modo de vida: muito tempo sentado e pouca ou nenhuma atividade física - um quadro que se acentuou na pandemia e que lidera as motivações para afastamentos do trabalho. Para tratar do tema, Natuza Nery conversa com o médico Francisco Sampaio Júnior, neurocirurgião especialista em coluna vertebral do hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Neste episódio: - Francisco Sampaio justifica por que estamos, em sentido figurado, diante de uma “epidemia de dores nas costas”: 80% das pessoas tem, teve ou terá este problema, segundo a OMS; - Ele relata que recebe em consultório pacientes com menos de 10 anos, e alerta que é um quadro ainda mais grave porque crianças estão em “desenvolvimento ósseo, articular e muscular”. “Essa geração vai sofrer mais e antes”, lamenta; - O médico explica o que é um “pescoço de texto”, uma condição identificada recentemente, e que se relaciona com o aumento no uso de smartphones e tablets: “Aumento de 100% a 150% de carga nos discos intervertebrais”; - E, por fim, Francisco alerta para a importância dos exercícios físicos para evitar a sobrecarga na região. “O corpo humano não foi feito para ficar parado. Parou, deu problema”, conclui.

Terror no Rio Grande do Norte: a situação carcerária

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Desde o início da semana, mais de 30 cidades do estado – entre elas a capital Natal – foram tomadas por uma onda de crimes: atentados a tiros e incêndios a prédios públicos, comércios e veículos. Ao longo dos dias, a violência dos ataques aumentou, sob a orientação de líderes de facções criminosas que estão detidos no sistema prisional. A Força Nacional de Segurança desembarcou no estado com 100 militares e deve ser reforçada por mais 120 homens para dar fim à situação. Para entender o que motivou o levante contra a população, Natuza Nery conversa com Bárbara Coloniese, perita do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, e Juliana Melo, antropóloga e pesquisadora da UFRN. Neste episódio: - Bárbara revisitou unidades prisionais do estado e relata que pouco mudou desde o massacre de Alcaçuz, em 2017. Ela descreve condições “insalubres” para os detentos: alimentação “precária e imprópria para consumo”, acesso limitado à agentes de saúde, superlotação e agressões de agentes penitenciários; - Juliana explica como e por que os detentos se revoltaram contra a tutela do Estado: eles sofrem “violações de direitos” - como choques elétricos e maus tratos com familiares – e apelam à violência. “Quanto mais uma prisão é violenta, mais uma sociedade é”, afirma; - A antropóloga descreve a origem e o avanço das organizações criminosas pelo território brasileiro. No caso do Rio Grande do Norte, explica que as duas facções mais poderosas podem ter se unido; - E ela demonstra ceticismo em relação à política de enviar as lideranças de facções para presídios federais: “Mais violações de direitos humanos e expansão do crime organizado”.

Etarismo – como ele leva a outras violências

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O caso da universitária de 40 anos alvo de piadas de três estudantes no interior de São Paulo não é isolado. Com a população vivendo cada vez mais, é preciso desconstruir preconceitos sobre a idade “padrão” para cumprir determinadas tarefas. E o chamado etarismo – ou idadismo - é porta para outros tipos de agressão. A OMS calcula que 15% da população idosa do planeta sofre com algum tipo de violência: agressões, maus-tratos, violência psicológica e roubos dentro da própria família. Para entender o que é o etarismo e os meios para combatê-lo, Natuza Nery conversa com Naira Dutra Lemos, professa da Unifesp e membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerentologia, e Bibiana Graeff, professora do curso de gerentologia da USP. Neste episódio: - Naria diz que o etarismo, a discriminação por idade, não é exclusiva do envelhecimento: “é quando a idade faz com que o preconceito aconteça”, citando também casos contra crianças e adolescentes; - Ela explica por que o preconceito em relação às pessoas mais idosas é a porta para casos de violência física e psicológica; - Bibiana detalha os tipos mais frequentes de violência contra idosos: “negligência, abandono, e depois, todos os tipos de violência psicológica”, situações que levam ao “silenciamento” de pessoas idosas; - E aponta caminhos para desconstruir o preconceito de idade, com investimento em políticas públicas e educação formal e informal sobre o envelhecimento; “a base de tudo é a educação e a cultura”, conclui.

A falência do banco SVB e os efeitos no Brasil

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A maior corrida bancária da história dos EUA aconteceu na semana passada. Em um dia, as retiradas chegaram a US$ 42 bilhões, depois que o Silicon Valley Bank resolveu vender parte de seus investimentos – reflexo da alta dos juros da maior economia do mundo. Com os saques recordes, logo ficou claro que o SVB não teria dinheiro suficiente para pagar seus clientes. Resultado: o banco quebrou. Dois dias depois, o Signature Bank também precisou de intervenção federal. O temor de uma crise parecida com a de 2008, fez o governo Joe Biden anunciar medidas para evitar um efeito dominó. Para entender as causas e as consequências da quebra do banco, Natuza Nery recebe a economista Monica de Bolle, professora e pesquisadora que fala direto de Washington.

Navalny: o homem que desafiou Putin

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Crítico do líder russo, Alexey Navalny jogou luz em alguns dos escândalos do Kremlin e mobilizou protestos no início da década de 2010. Em 2020, seu nome se tornou mundialmente conhecido, depois de ele ter sido envenenado. Tratado na Alemanha, o opositor de Vladimir Putin retornou à Rússia e foi preso – seu paradeiro é até agora desconhecido. A investigação sobre a tentativa de matá-lo, conduzida pelo próprio Navalny, é o tema de um documentário premiado no Oscar. Para entender quem é o homem considerado “pedra no sapato” do presidente russo e explicar seu passado contraditório, Natuza Nery recebe a jornalista brasileira Marina Darmaros, que entrevistou Navalny em 2011, e Daniel Sousa, comentarista da GloboNews e criador do podcast Petit Journal. Neste episódio: - Marina relembra a efervescência de protestos em 2010, quando Navalny emergiu como líder da oposição, e por que o ativista resolveu voltar ao país depois de ser envenenado: “Não existe carreira política no exterior”, ao lembrar que uma de suas ambições era tornar-se presidente; - Ela relata o encontro que teve com ativista em 2011 e o “clima de suspense” que já havia em torno de Navalny à época; - Daniel aponta como Navalny é “uma liderança política extremamente popular” e, mesmo preso, mantém a posição de principal antagonista do presidente russo; - Ele analisa como a maneira com que Putin trata o opositor revela o status da Rússia atual, “um regime que vem se fechando ao longo do tempo”, diz. E conclui como é interessante para Moscou manter Navalny vivo.

5 anos do assassinato de Marielle Franco

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Às 21 horas da noite de 14 de março de 2018, a vereadora pelo Psol e seu motorista, Anderson Gomes, foram emboscados e executados no centro do Rio de Janeiro. Imediatamente, autoridades brasileiras e representantes de quase todo o mundo condenaram o crime de motivação evidentemente política e cobraram que houvesse investigação independente e rápida identificação dos assassinos. Cinco anos depois, dois ex-policiais militares foram acusados pela execução, mas ainda não se sabem quem e por que encomendou a morte de Marielle. Agora, sob determinação do ministro da Justiça, Flávio Dino, a PF abriu inquérito do caso e vai atuar em uma força-tarefa com a polícia civil e o MP do Rio. Para recapitular cada detalhe das investigações e esclarecer o status jurídico do caso, Natuza Nery recebe Vera Araujo, repórter que cobre o crime desde o início pelo jornal O Globo e autora do livro “Mataram Marielle”, e Rafael Borges, presidente da comissão de segurança pública da OAB-RJ e coordenador da pós-graduação em advocacia criminal do Ceped. Neste episódio: - Vera aponta as falhas que atrapalharam a investigação, as acusações de interferência no caso e os episódios nos quais delatores tentaram desviar a atenção dos policiais, em um jogo de poder entre milícias em guerra. “Eles não tinham ideia de que o assassinato teria tanta repercussão”, afirma; - a jornalista conta a reação da família de Marielle diante das investigações e o que motivou o pedido – e a recusa do STJ – de federalização do caso. “Já estava no governo Bolsonaro e a família não confiava na esfera federal”; - Rafael explica o que significa a abertura de inquérito pela PF e quais são os requisitos necessários para a federalização do caso: “É inegável que os agentes da PF poderiam ter contribuído muito mais se estivessem na investigação desde o início”; - Ele recorda que a execução de Marielle ocorreu sob intervenção e a “segurança pública do estado era cuidada por um general do Exército” - o interventor era Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice de Bolsonaro.

Coronel Cid: o faz-tudo de Bolsonaro

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Oficial com mais de 20 anos de Exército, Mauro Cid foi escalado para a função de ajudante de ordens do ex-presidente pouco antes da posse, em 2018. Nos quatro anos de mandato, ultrapassou todos os limites de suas funções e conquistou a confiança irrestrita de Bolsonaro – com quem esteve envolvido em diversos escândalos, entre eles a divulgação de fake news em lives presidenciais, a suspeita de rachadinha no Planalto e o mais recente, o das joias milionárias enviadas pelo governo saudita. Para definir o perfil de Mauro Cid e relatar seus passos nos bastidores, Natuza Nery recebe Guilherme Mazui, repórter do g1 em Brasília, e Andréia Sadi, colunista do g1 e apresentadora e comentarista da GloboNews. Neste episódio: - Guilherme descreve as funções do tenente-coronel como ajudante de ordens da Presidência: ajudava em lives, filmava o “cercadinho” e até encaminhava pagamento de demandas particulares da família Bolsonaro: “Ganhou confiança e se tornou conselheiro do presidente”; - Sadi conta que até o último dia de mandato de Bolsonaro, o ajudante de ordens “se escalou como o artilheiro” do governo: Cid teria se oferecido para ir pessoalmente à alfândega do aeroporto de Guarulhos para resgatar as joias trazidas da Arábia; - Ela explica o papel de Mauro Cid na tentativa de livrar o ex-presidente do escândalo das joias, e como o discurso muda a cada passo da investigação: “A justificativa deles é de que uma coisa é o presidente, outra é a Presidência”; - Por fim, Sadi detalha a quais investigações o tenente-coronel está submetido – inclusive aquela na qual ele pagaria as contas de Bolsonaro irregularmente. E informa que os dois, o ex-presidente e seu ajudante de ordens, seguem em contato: “Uma fonte me disse que, se alguém sabe de Bolsonaro, com certeza é o Cid”.

A ditadura da Nicarágua e a relação Lula-Ortega

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Ao mesmo tempo em que o ditador Daniel Ortega acirra sua cruzada autocrática para permanecer no poder, uma comissão independente enviada pela ONU ao país reforçou que o governo vem cometendo violações graves e sistemáticas contra opositores. No Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, dos oito países que produziram o documento, apenas um se recusou a condenar os crimes: o Brasil. Para explicar o que vem acontecendo no país da América Central e as relações entre Ortega e Lula (PT), Natuza Nery conversa com Paulo Abrão, professor visitante na Universidade Brown (EUA) e assessor sênior da ONG Artigo 19, e com o sociólogo Celso Rocha de Barros, colunista do jornal Folha de S.Paulo e autor do livro “PT, uma história”. Neste episódio: - Paulo relata a escalada de protestos e de repressão violenta por parte do governo e de grupos paramilitares que marcou a guinada autoritária de Ortega, em 2018: “O tempo aprofundou o Estado de exceção e submeteu o povo a práticas de terrorismo de Estado”; - Ele lembra que, assim que eclodiu a crise política no país, a Igreja Católica “assumiu o papel de mediação” com o governo, mas, posteriormente, entrou na lista de organizações perseguidas, junto de partidos de oposição, ONGs e a imprensa; - Celso retoma as relações entre a fundação do PT (1980) e a revolução sandinista (1979), que compartilhavam do ideal de “socialismo democrata”, para explicar o silenciamento do partido em relação aos desvios do regime de Ortega: “É um erro do PT”; - O sociólogo compara e aponta as diferenças entre o momento político internacional em que Lula assumiu seu primeiro mandato e agora: “Havia muitos países com esquerda democrática. Agora, uma ditadura pode queimar o filme da esquerda em todo o continente”.

O déficit de mulheres na política

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Nas eleições de 2022, o número de candidatas eleitas à Câmara dos Deputados cresceu, mas ainda de forma muito tímida: enquanto as mulheres são 53% do eleitorado, ocupam 17,7% das cadeiras no parlamento. Em 2020, dos 5.560 municípios brasileiros, apenas 677 elegeram prefeitas. São números que classificam o Brasil na 140ª posição entre os 190 países avaliados por um ranking global de representatividade feminina. Os problemas enfrentados por mulheres em cargos políticos, no entanto, são globais: as primeiras-ministras de Finlândia, Nova Zelândia e Escócia, já sofreram com ataques misóginos. Para analisar esse cenário, Natuza Nery conversa com a cientista política Mônica Sodré, diretora executiva da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade. Neste episódio: - Mônica avalia o peso da violência e da falta de apoio financeiro que as mulheres enfrentam dentro de estruturas partidárias e de poder público - e de que modo as mudanças na legislação vêm ajudando na inclusão de gênero: “Mas ainda não são suficientes”; - Ela explica que os partidos políticos são “fundamentais para o jogo eleitoral e institucional” da democracia, mas são majoritariamente dirigidos por figuras masculinas: “A primeira barreira é a campanha, a segunda é a eleição e a terceira barreira é dentro do parlamento”; - A cientista política aponta quais modelos adotados internacionalmente apresentaram resultados melhores na atração e manutenção de mulheres em cargos públicos, e apresenta proposta para garantir espaço a deputadas e vereadoras nas mesas diretoras do Legislativo.

As joias da Arábia para Michelle Bolsonaro

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Em outubro de 2021, a comitiva liderada pelo então ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque desembarcou no aeroporto de Guarulhos carregando pelo menos duas malas com joias – que, supostamente, foram enviadas pelo governo saudita. A mala que trazia presentes para a ex-primeira-dama ficou retida pela Receita Federal – a outra, chegou às mãos da Presidência. Desde então, o governo Bolsonaro envolveu militares, três ministros e até a alta cúpula da Receita para reaver as peças cravadas em diamante, estimadas em R$ 16,5 milhões. Para desfazer os nós dessa história, que vai ser investigada pela Polícia Federal, Natuza Nery conversa com Vladimir Netto, repórter da Globo em Brasília, e com Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN. Neste episódio: - Vladimir detalha a cronologia do caso, desde o embarque da comitiva na Arábia Saudita até a última das oito tentativas do governo Bolsonaro de reaver de forma irregular as joias retidas na alfândega: “Investigadores têm indícios fortes de que o governo queria esconder a entrada desses itens”; - Ele lista quais os crimes investigados pela PF e conta quem são os alvos do inquérito aberto nesta segunda-feira (6): descaminho, peculato, lavagem de dinheiro, contrabando, tráfico de influência e corrupção; - Bernardo questiona as circunstâncias em que as joias chegaram às mãos do ex-ministro Bento Albuquerque e as motivações para que tenham entrado escondidas no Brasil: “É um caso revelador do caráter do governo Bolsonaro”; - Ele afirma que, do ponto de vista de imagem pública, este caso pode ser “mortal” para Jair e Michelle Bolsonaro: “Já tem muito político tentando se afastar”.

George Santos e suas mentiras nos EUA

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Filho de brasileiros, o primeiro republicano abertamente gay foi eleito no ano passado para o Congresso dos Estados Unidos. Depois de conseguir o feito inédito, George Santos passou a ser acusado de mentiras, e se tornou famoso pela soma de histórias falsas. Entre casos inventados, exagerados, e um passado desconhecido, ele agora é investigado pelo Comitê de Ética da Câmara dos Deputados. Para contar a sequência de mentiras e onde o processo aberto na semana passada pela Câmara dos EUA pode parar, Natuza Nery conversa com o repórter da revista piauí João Batista Jr., e com Carolina Cimenti, correspondente da TV Globo em Nova York. Neste episódio: - João Batista Jr., o primeiro jornalista brasileiro a falar com Santos, conta como o deputado mentia repetidamente sobre seu currículo antes mesmo de ser eleito; - O repórter avalia o que pode estar por trás de algumas das mentiras mais graves, como a ocultação das razões do crescimento do patrimônio e do financiamento da campanha do republicano; - Carolina relata que as investigações abertas no Congresso envolvem principalmente suspeitas de atividades ilegais durante a campanha do ano passado; - Ela descreve as baixas chances da apuração parlamentar prosperar. "O Comitê de Ética não é conhecido por conduzir investigações agressivas", diz.

Redpill - a misoginia como lucro

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A ameaça do auto titulado “coach de masculinidade” Thiago Schutz à atriz Livia La Gatto por uma paródia de um de seus vídeos é o mais recente episódio de um comportamento que ganha volume nas redes sociais. Avolumam-se conteúdos com discurso de ódio direcionado a mulheres e movimentos como os ‘redpills’, ‘incels’ e ‘mgtows’ encontram terreno fértil para propagar teorias criminosas – tudo isso sob uma lógica de distribuição em rede que rende muito dinheiro. Natuza Nery conversa com a cientista política Bruna Camilo, pesquisadora da PUC-MG sobre misoginia e redes de ódio, e com Tainá Aguiar Junquilho, pesquisadora do Instituto de Tecnologia e Sociedade. Neste episódio: - Bruna traduz o significado de termos que integram o debate de gênero, entre eles o “masculinismo” - ela se infiltrou em grupos extremistas e observou o uso de termos ofensivos como “diabolheres” e “merdalheres”; - Bruna explica a relação entre a formação desses grupos misóginos com a expansão da extrema-direita e a radicalização política: “Gênero é categoria de poder”; - Tainá relata a dificuldade que o Judiciário enfrenta para punir discursos de “microviolência”, ou seja, que não representam crimes, mas “reforçam a cultura machista”; - Ela descreve o funcionamento dos algoritmos em rede para amplificar falas odiosas, e como as grandes empresas de tecnologia podem reprimi-las.

O caso das vinícolas e trabalho escravo

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Presos sob o controle de uma empresa que atende a três grandes vinícolas da Serra Gaúcha, 207 trabalhadores foram libertados em uma ação da Polícia Federal e do Ministério Público do Trabalho. De acordo com a investigação, eles foram submetidos também a situações de tortura – espancados com choques e spray de pimenta – depois de serem aliciados na Bahia com a promessa de trabalho remunerado em Bento Gonçalves (RS). Não se trata de um caso isolado: em 2022, mais de 2,5 mil pessoas foram resgatadas em situações análogas à escravidão. Coordenador da Conaete (Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas), Italvar Medina conta a Natuza Nery os detalhes da operação. Natuza conversa também com Natalia Suzuki, coordenadora do programa “Escravo nem pensar”, o primeiro do tipo em alcance nacional. Neste episódio: - Italvar relata como foi o resgate dos trabalhadores da região produtora de vinhos no Rio Grande do Sul: “Foram constatados condição de trabalho degradante, servidão por dívidas e trabalho forçado, com agressões”; - Ele afirma que o episódio das vinícolas gaúchas não é caso isolado, e que em outros ramos de atividade também é comum que grandes empresas patrocinem mão de obra escrava; - Natalia reforça que o trabalho escravo é “recorrente e constitutivo da forma de produção” de vários setores: “Temos falhado em resolver este problema de forma muito séria”; - Ela comenta a fala “absurda, racista e preconceituosa” do vereador de Caxias do Sul, que culpabiliza os trabalhadores pela condição a que estavam submetidos: “Infelizmente, esse discurso é recorrente entre os empregadores”.

Militares golpistas - a investigação no STF

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Desde o resultado do 2º turno das eleições presidenciais, se avolumaram manifestantes golpistas nas portas dos quartéis do Exército. E nada foi feito. Quando as sedes dos três Poderes foram invadidas, em 8 de janeiro, há indícios de que não só os militares nada fizeram, como colaboraram com o ato terrorista. De lá para cá, a justiça civil denunciou mais de 900 pessoas, enquanto a justiça militar, zero. Na segunda-feira (27), o ministro Alexandre de Moraes decidiu atender a um pedido da PF e trouxe a investigação militar do tribunal correspondente para seu gabinete no STF. Para relatar e analisar esta história, Natuza Nery recebe Rafael Moraes Moura, repórter do jornal O Globo em Brasília, e o historiador Carlos Fico, professor da UFRJ. Neste episódio: - Rafael detalha quais são as 8 apurações preliminares no Ministério Público Militar e aponta a “dúvida do MPM” em relação à decisão de Alexandre de Moraes; - O jornalista também traduz o que significa o afago do presidente do Supremo Tribunal Militar à decisão de Moraes: “Aparar as arestas”. E informa que ministros do STM estão desconfortáveis com a sinalização de que o STF “não gosta e nem confia na justiça militar”; - Carlos Fico explica o surgimento da Justiça Militar, que estabeleceu o “primeiro tribunal superior do Brasil”. Uma instituição, afirma, que em vários momentos “se degenerou, sobretudo nas ditaduras do Estado Novo e do governo militar”; - O historiador justifica por que o ataque de 8 de janeiro é especialmente grave para a instituição militar: as Forças Armadas sempre fizeram questão, afirma, da garantia dos poderes constitucionais, mas “quando os três Poderes foram atacados, os militares fizeram muito pouco ou foram lenientes”.

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