🇧🇷 Brazil Episodes

1677 episodes from Brazil

A volta do imposto sobre combustíveis

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Quando o preço do litro da gasolina bateu recordes pelo Brasil em 2022, Jair Bolsonaro (PL) aprovou às pressas, em junho do ano passado, um pacote de desoneração dos impostos sobre os combustíveis - tendo em vista as eleições que seriam realizadas em outubro. A medida avaliada como eleitoreira à época foi mantida por Lula (PT), válida por 60 dias a partir do momento de sua posse. Com a aproximação do fim do prazo, o presidente teve que decidir se arcaria com o peso político da alta nas bombas ou com o risco fiscal de abrir mão de quase R$ 29 bilhões: Lula optou por dar fim à desoneração. Para desenhar as peças neste tabuleiro, Natuza Nery recebe o jornalista Alvaro Gribel, colunista do jornal O Globo. Neste episódio: - Alvaro explica a “bomba que Bolsonaro deixou armada” e porque fica “cada vez mais difícil para o atual governo justificar a desoneração” - é preciso olhar para frente e não para o curto prazo, afirma: “Vai colher benefícios como queda dos juros e crescimento da economia”; - Ele aponta como a desoneração dos combustíveis fósseis é um “contrassenso do ponto de vista ambiental”, sobretudo enquanto o governo busca lapidar uma agenda verde; - O jornalista projeta as ações de longo prazo de Lula para lidar com as variações no preço internacional do petróleo e do câmbio interno: “Criar um fundo de estabilização”; - Por mim, Alvaro diz por que a exposição pública das divergências internas nas pautas econômicas se traduz em “efeito negativo, ruído e incerteza”. Por outro lado, afirma, se Haddad conseguir um “projeto que traga confiança” a economia pode voltar a crescer – mas, caso seja um pacote fraco, “o efeito será exatamente o contrário”.

Burnout no pós-pandemia

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Exaustão física e mental, insônia, falta de concentração, desânimo, irritabilidade, aversão ao trabalho... Estes são alguns dos sintomas que fazem alguém “se queimar por dentro”, daí o nome burnout. A síndrome está relacionada ao esgotamento do trabalho e registrou alta durante o período de isolamento social por causa da pandemia. Mas mesmo com o fim do isolamento, as notificações continuam em alta, com profissionais expostos à sobrecarga prolongada, com demandas maiores e prazos menores. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Bruno Chapadeiro, psicólogo, professor da UFF e perito judicial em saúde mental, e com Joana Story, professora adjunta da Escola de Administração de Empresas da FGV. Neste episódio: - Bruno diferencia o burnout de outros quadros de stress e ansiedade: “É um conjunto de sinais e sintomas”, que representam uma exaustão sempre relacionada ao trabalho; - Ele chama a atenção para a necessidade de encarar saúde mental e saúde física de maneira integrada. “Se a pessoa tem insônia ou dor na coluna, ela passa a se culpar por essas dores estarem superiores à sua capacidade de produzir”, diz; - Joana explica como a saúde mental do trabalhador está diretamente relacionada ao equilíbrio entre demanda e recursos. “Quando temos muito mais demandas do que recursos, é um indício de que poderemos entrar em esgotamento emocional”, explica; - A professora aponta ainda bons e maus exemplos de liderança que podem amenizar ou potencializar o risco de burnout, e como os próprios profissionais podem impor limites para afastar a síndrome: “Uma das coisas mais difíceis, mas que é necessário, é impor limites e dizer não”.

1 ano de guerra: como está a vida na Ucrânia

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No dia 24 de fevereiro de 2022, após discurso nacionalista inflamado, o presidente russo Vladimir Putin anunciou que o “exercício militar” de seu exército invadiria o território do país vizinho. Era o começo de uma guerra que, no início, muitos analistas apostavam que duraria poucos dias. Mas os russos não conseguiram tomar Kiev, e, turbinada por armas e milhões de dólares concedidos pelas maiores potências ocidentais, a Ucrânia equilibrou o conflito. Avizinhando-se à data simbólica de 1 ano de invasão russa, as tensões se acirraram de lado a lado: Zelensky recebeu Joe Biden na capital e Putin abandonou o acordo nuclear que mantinha com os EUA. Para analisar o momento da guerra, Natuza Nery conversa com Felipe Loureiro, professor de relações internacionais da USP. Antes, Rodrigo Carvalho, enviado especial da Globo à Ucrânia, descreve como estão hoje as principais cidades do país e conta o que pensam os ucranianos. Neste episódio: - Rodrigo conta suas impressões de Kiev, capital onde a “rotina ainda é muito invadida pela guerra”: os moradores precisam conviver com o risco de bombardeios e sob o som das sirenes - tão recorrentes que são até ignoradas por muitos ucranianos; - Ao visitar outras cidades, ele diz ter visto “mais destruição do que reconstrução” nos prédios e casas e muitas pessoas ainda traumatizadas pelos violentos ataques do exército russo: “É a morte como cenário”; - O jornalista também relata a condição das crianças no país invadido: de acordo com a Unicef, são 7 milhões no país e todas elas sofrem de estresse traumático da guerra, e metade ainda não voltou à escola; - Felipe Loureiro explica por que está “pessimista” em relação à possiblidade de um cessar fogo ou pelo fim da guerra: “A situação atual é uma corrida por ofensivas”.

Racismo religioso – o ódio para além do culto

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A punição para quem pratica o crime de intolerância religiosa está mais dura desde o meio de janeiro – a pena passou de 1 a 3 anos de prisão para até 5 anos para quem empregar violência contra manifestações ou práticas religiosas. Uma medida necessária para frear o crescimento acelerado de crimes de fundo religioso. Em 2022, foram mais de 1.200 ocorrências no Brasil, o que significa um aumento de 45% em relação a dois anos antes. Em entrevista a Natuza Nery, Magali do Nascimento Cunha, pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião, explica os motivos que levam ao aumento do número de casos. Natuza conversa também com o babalorixá Adailton Moreira, responsável pelo terreiro de candomblé Ilê Omijuarô. Ele fala sobre o impacto da violência na vivência das religiões de matriz africana. Neste episódio: - Magali descreve como se construiu o “casamento entre grupos religiosos e grupos políticos” no Brasil, uma relação que se fortaleceu a partir de 2010 e culminou na eleição de Bolsonaro em 2018 e no combate ao que supostamente seria uma “cristofobia”; - Ela explica o processo histórico no qual a “demonização” das religiões não cristãs se soma à intolerância racial para consolidar o que hoje se chama de “racismo religioso”; - Adailton relata o crescimento dos ataques contra religiões de matriz africana nos últimos 4 anos e cobra do Estado a responsabilidade para proteger a liberdade religiosa; - Ele conta como o racismo religioso e a violência “afetam profundamente” a todos que professam crenças de matrizes africanas: “Crianças não podem se manifestar, e isso é negar sua identidade e a sua cultura”.

A tragédia no litoral de SP e a questão da moradia

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O Litoral Norte de São Paulo, principalmente a cidade de São Sebastião, sofreu a mais poderosa tempestade que o Brasil já viveu: em 15 horas, a precipitação foi de 683 milímetros de água, mais do que choveu em todo o verão passado. A enxurrada levou ao desabamento de terra da Serra do Mar e, somada à falta de planejamento urbano e ao enxugamento crescente dos recursos para atendimentos de emergência climática, destruiu dezenas de casas e deixou cerca de 50 mortos e mais de 40 desaparecidos. Morador da Vila do Sahy há mais de 20 anos, Moisés Teixeira Bispo, líder da Central Única das Favelas (Cufa) em São Sebastião, viveu a tragédia e relatou a Natuza Nery a situação na região. Natuza recebe também Anderson Kazuo Nakano, professor do Instituto das Cidades da Unifesp. Neste episódio: - Moisés conta como a comunidade da Vila do Sahy cresceu e foi avançando para áreas de risco, situação que classifica como “entre a cruz e a espada”: “É muita desigualdade. Se a gente desce, fica muito caro. Se a gente sobe o morro, é perigoso”; - Anderson explica o que é o “nó da terra”: a dificuldade para acessar e conseguir terra urbanizada, com infraestrutura e bem localizada para construções populares, uma vez que os terrenos são caros e estão sob ataque especulativo; - Ele justifica o “grande paradoxo” urbanístico do Brasil: embora a maioria das cidades sejam urbanas e exista um “ordenamento jurídico-urbanístico muito bom”, não existe política urbana bem consolidada entre os entes federativos; - O professor descreve como as comunidades de baixa renda são “espremidas” entre os condomínios de alto padrão – mais próximos do mar – e as áreas em risco de desabamento.

Ministério da Saúde - reconstrução pós-Bolsonaro

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Nos últimos quatro anos, a pasta teve cinco ministros – sendo um deles o militar que “não conhecia o SUS” - e enfrentou a mais severa pandemia dos últimos 100 anos. E fracassou retumbantemente. O presidente de turno insistiu em tratamentos comprovadamente ineficazes. O programa nacional de imunização, outrora orgulho nacional, demorou a receber as vacinas e registra as mais baixas taxas de vacinação infantil em décadas. E o país chega ao quarto ano da crise sanitária com média de mortes por Covid quase três vezes maior que a mundial. A atual gestão, liderada pela ex-presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, se dedica a reconstruir o ministério, mas até aqui apresenta resultados tímidos. Para fazer o balanço dos primeiros 45 dias do mandato Lula (PT) na saúde e apontar onde estão as principais urgências, Natuza Nery recebe Luana Araújo, infectologista e especialista em saúde pública. Neste episódio: - Luana analisa a demora por parte do atual governo em adotar ações efetivas, mas pondera que o ministério foi encontrado “totalmente destruído”; - Ela afirma que agora, período em que o país está entre ondas de Covid, é o momento certo para iniciar uma campanha de imunização. E reforça a necessidade de o Ministério assumir a coordenação com estados e munícipios; - A infectologista também avalia a quantidade de médicos a serviço do SUS: “Nosso problema hoje não é a falta de médicos, é a distribuição e retenção desses profissionais”. E pede para que a nova gestão trabalhe para interiorizá-los e para que dê a eles a estrutura adequada.

Novo Ensino Médio: os avanços e as lacunas

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Aprovada em 2017, a Lei que instituiu a reforma do ensino médio estabeleceu que o novo currículo seria obrigatório a partir de 2022. Concluído o ano letivo que se passou, os primeiros problemas se apresentaram em escolas de todo o país. Agora, diante da ampliação do currículo prevista para este ano e para 2024, o chefe do Ministério da Educação tem sido pressionado para revogar o modelo vigente. Para apresentar os erros e acertos do Novo Ensino Médio, Natuza Nery entrevista a pedagoga Anna Helena Altenfelder, doutora em psicologia da educação e presidente do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária). Neste episódio: - Anna afirma que é fundamental repensar o formato educacional, com mais liberdade de escolha aos alunos e levando em conta o mundo do trabalho. Mas lembra que o modelo já apresentava “lacunas importantes” desde o início; - Ela apresenta também os dois principais problemas do Novo Ensino Médio como está previsto: a desigualdade de oportunidades para os alunos e a falta de estrutura, apoio e treinamento para professores e gestores; - A pedagoga explica por que a reforma traz o grande risco de estados trabalharem muito isoladamente – e sugere a criação de um sistema nacional de educação, nos moldes do SUS.

O que está por trás do caso dos OVNIs nos EUA

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Nos últimos 8 dias, a Força Aérea americana abateu 4 objetos voadores entre a costa leste da Carolina do Sul e o Alasca, do outro lado do continente norte-americano. Criou-se um mistério tal que o governo envolveu o departamento de Defesa, o FBI e a Nasa para encontrar uma resposta – o porta-voz presidencial teve até que vir a público para negar a hipótese de uma invasão alienígena. Pelo contrário, a suspeita da Casa Branca é que seja uma atividade bastante humana: espionagem. O primeiro objeto, um balão, seria um artefato de espionagem enviado pelo governo chinês; Pequim nega. Para explicar a lógica da espionagem internacional e os impactos do atual incidente, Natuza Nery recebe Gunther Rudzit, professor de relações internacional da ESPM, e Thiago de Aração, diretor da Arko Advice e pesquisador do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos de Washington. Neste episódio: - Gunther justifica por que os Estados Unidos são, de fato, “a grande potência” do planeta: seu sistema de inteligência tem mais 300 satélites de uso militar em órbita; - Ele também analisa a “paranoia americana” herdada dos anos de Guerra Fria: “são temores antigos do subconsciente coletivo que estão voltando”, afirma, mas, agora, em relação à China; - Thiago diz que episódios como este podem ter acontecido “muitas vezes”, mas que, agora, diante do conhecimento público, exige de Joe Biden e Xi Jinping uma “narrativa diferente e mais agressiva”; - Ele especula sobre os avanços do nacionalismo chinês: caso a economia derrape, aumentam as possibilidades de uma ofensiva sobre Taiwan.

A Turquia pós-terremoto vista de perto

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Os tremores de terra que abalaram o país e a Síria há uma semana provocaram a maior tragédia natural da história recente das duas nações: o número de mortos já passa de 37 mil e, segundo a ONU, pode até dobrar. Uma destruição que se reflete em milhares de edifícios tombados e numa população que chora suas perdas e não tem um teto para dormir. O jornalista Murilo Salviano, correspondente da TV Globo em Londres, passou a última semana entre as cidades turcas de Adana, Antáquia, Kahramanmaras, Ilicek e Gaziantep, as mais afetadas pelos terremotos. Ele conta à Natuza Nery o que viu e sentiu durante seu período no país. Neste episódio: - Murilo descreve os “sentidos” diante da tragédia: sons de máquinas de resgate e choro de familiares de vítimas, cheiros de fumaça e poeira, e sensação de frio de até -10°C; - O jornalista relata os “milhares de quilômetros de destruição” que testemunhou e a dificuldade das equipes de resgate para vencer os escombros em busca de sobreviventes – e como a demora no atendimento gerou “revolta” da população; - Ele recorda as conversas que teve com os bombeiros turcos – eles chamam a atenção para quais tipos de prédios foram destruídos. Murilo informa ainda qual o status das investigações sobre os responsáveis pela queda de construções: são mais de 100 presos até agora; - Murilo se emociona ao lembrar do abraço que recebeu de uma mulher turca que perdeu o filho, o neto e a nora na tragédia.

O caminho do ouro ilegal da Terra Yanomami

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A operação liderada pelo governo federal para acabar com a atividade criminosa dentro da terra indígena já expulsou do território milhares de garimpeiros e apreendeu parte do maquinário necessário para a extração mineral. Mas esta é só a ponta de um esquema que envolve financiamento para o garimpo, lavagem de ouro ilegal e envolvimento de crime organizado de tráfico de drogas e mercado internacional de joias. Para entender a logística por trás da atividade garimpeira, Natuza Nery conversa com Ana Magalhães, coordenadora de jornalismo da Repórter Brasil que há anos investiga o tema. Neste episódio: - Ana relata as investigações feitas pela sua equipe e pelos agentes da Polícia Federal, e como chegou à conclusão de que “quem mais lucra com o crime são empresas de faturamento milionário”; - Ela detalha os caminhos da lavagem do ouro da Terra Yanomami: vai a Boa Vista, é vendido ilegalmente na “rua do ouro” e depois revendido para as empresas intermediárias, onde é produzida uma nota fiscal fraudada. Por fim, já regularizado, é exportado para o mundo inteiro; - A jornalista ainda critica a falta de fiscalização para as DVTMs (empresas que têm autorização do Estado para comercializar o ouro): “Em tese, quem deve fiscalizar é o Banco Central, mas seu trabalho é muito frágil”.

Lula com Biden, e a retomada da diplomacia

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Desde que venceu a eleição em outubro do ano passado, o presidente discursa sobre a necessidade de dar uma guinada na política externa brasileira. Nos primeiros 40 dias de governo, Lula retomou o Fundo Amazônia, reforçou o compromisso com o Mercosul em visita à Argentina e, agora, está em Washington para um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos – atendendo a um convite feito pelo próprio Joe Biden no pós-atentado golpista de 8 de janeiro. Para fazer a leitura dos novos rumos da diplomacia brasileira, Natuza Nery recebe Rubens Barbosa, presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior e ex-embaixador do Brasil em Washington e em Londres. Neste episódio: - Rubens critica a relação de Bolsonaro com Donald Trump, na qual o brasileiro buscava “vantagens pessoais”, e afirma que o encontro Lula-Biden marca a “retomada da relação institucional” entre Brasil e EUA; (4:45) - Para ele, o tema central da agenda dos presidentes será o combate à extrema-direita e a manutenção da democracia: “Os EUA e o Brasil passaram pela mesma experiência”; - O diplomata explica por que Lula está retomando a tradição “da política externa brasileira presidencial” e como ele tentará recompor as relações com diferentes blocos econômicos; - E conta como o corpo de diplomatas do Itamaraty resistiu, nos últimos 2 anos, aos ataques do governo Bolsonaro à tradição diplomática brasileira.

Lula x BC – o atrito sobre a política de juros

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Indicado por Jair Bolsonaro (PL), Roberto Campos Neto é o primeiro presidente do Banco Central a assumir a função sob a lei que garante autonomia operacional e um mandato de 4 anos, até dezembro de 2024. Desde o segundo semestre do ano passado, diante de um quadro de erosão fiscal e inflação em dois dígitos, o BC elevou a Selic para 13,75%, taxa mantida na última reunião do Copom. A reação foi imediata: Lula (PT) deu início a uma série diária de críticas a Campos Neto. Para desvendar os nós da relação entre a taxa básica de juros, a autonomia do BC e o estresse com o Executivo, Natuza Nery conversa com o economista Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central. Neste episódio: - Tony fala sobre a expectativa do mercado financeiro e da equipe econômica do governo para a curva de juros após a divulgação da ata do Copom: “Aprovadas as medidas econômicas de Haddad, podemos ter queda de juros este ano”; - Interpreta a justificativa do Copom para a manutenção da Selic. Para Tony, Campos Neto reforça que irá buscar o centro da meta de inflação, de 3,25% em 2023, mas sinaliza a Lula que cabe ao Executivo assumir uma nova meta; - Explica o peso da PEC da Transição, do pacote de medidas de Fernando Haddad, da nova âncora fiscal e da eventual aprovação de uma reforma tributária na política de juros: “Esse vai ser um ano de certo sacrifício, mas 2024 pode ser um ano muito bom para a economia brasileira”; - Avalia o clima político entre Lula e Campos Neto, flagrado em um grupo de mensagens com ministros bolsonaristas: “Vamos ter uma crise no país por isso? Eles têm que ter uma relação institucional”, conclui.

1 mês dos atos golpistas de 8 de janeiro

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O mais grave atentado contra o Estado democrático de direito no Brasil tem consequências criminais e políticas. Na esteira da invasão às sedes dos Três Poderes, um governador foi afastado, um ex-ministro está preso e mais de 650 pessoas foram denunciadas – entre elas políticos, policiais e financiadores. Para fazer o balanço deste último mês, Natuza Nery recebe dois convidados: a jornalista Camila Bomfim, apresentadora do Conexão GloboNews, e Oscar Vilhena, professor de Direito Constitucional da FGV-SP e integrante da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns. Neste episódio: - Camila identifica as quatro frentes de investigação da Polícia Federal: a busca pela identificação de incitadores e executores; policiais militares omissos; mentores intelectuais e políticos; financiadores. - Ela descreve como os agentes estão atuando para identificar os envolvidos, e conclui como o “núcleo político vai ser bem maior", no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está na lista de investigados; - Oscar analisa de que modo a legislação brasileira pode enquadrar os golpistas e como a PEC apresentada pelo ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), atende as demandas do pós 8 de janeiro – a exemplo da “feliz troca” da Força Nacional de Segurança para uma Guarda Nacional; - E explica como os ministros do Supremo avaliam a concentração de processos no gabinete de Alexandre de Moraes: avaliam desmembrar e distribuir os casos aos juízes da vara criminal do DF ou levar a julgamento em plenário.

O terremoto na Turquia e na Síria, e os refugiados

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Um tremor devastador de magnitude 7,8 deixou milhares de mortos e feridos nos dois países nesta segunda-feira (6). A região mais atingida é a fronteira, onde está concentrado um grande número de refugiados da guerra civil na Síria. A situação é agravada por um inverno rigoroso e pela falta de infraestrutura, destruída depois de mais de uma década de conflito. Para entender como esse terremoto agrava a situação de refugiados, Natuza Nery conversa com Guga Chacra, correspondente da Globo em Nova York e colunista do Jornal O Globo. Neste episódio: - Guga explica que a ajuda humanitária externa deve vir de todos os lados. Pelo lado turco, o governo tem condições de acolher a população afetada. Mas do outro lado da fronteira, o “catastrófico empobrecimento da Síria” deixa milhares sem o cuidado adequado; - Analisa de que modo o presidente turco Recep Tayyip Erdogan pode capitalizar em cima da tragédia, e suas chances de vitória nas eleições que ocorrem neste ano – ele é favorito e tende a “não jogar limpo” com a oposição; - Relembra o histórico da Guerra da Síria, que já levou a mais de 5 milhões de refugiados no mundo, e descreve a situação atual do conflito.

ChatGPT: a ferramenta com linguagem humana

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Treinado com textos feitos por humanos, o chat criado pela empresa OpenAI foi lançado em novembro de 2022 e atingiu 100 milhões de usuários em apenas 2 meses. "Funciona como uma rede neural artificial treinada por linguagem”, como define o próprio ChatGPT, respondendo a uma pergunta da produção de O Assunto. Para entender como essa inteligência artificial funciona, seus mecanismos e suas deficiências, Natuza Nery conversa com Nina da Hora. Cientista da computação, Nina é pesquisadora e especialista em Inteligência Artificial e Cibersegurança no Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas. Neste episódio: Nina explica o mecanismo por trás do ChatGPT – e como em poucos segundos ele cumpre comandos como “escrever um discurso presidencial como se fosse um rapper” ou “escrever uma mensagem motivacional”; Define que o robô do momento produz “uma colagem de várias informações que ele conseguiu aprender em determinado período e ele compartilha como se fosse algo criado independente do cérebro humano”; Natuza e Nina discutem os riscos de descumprimento de direitos autorais da ferramenta, além da disseminação de informação não verificada e de notícias falsas; E Nina aponta como o setor de Inteligência Artificial tem como desafio desenvolver sistemas de maior impacto social: “a tecnologia precisa estar alinhada com a sociedade", diz. E cita o exemplo de robôs que já conseguem ajudar na identificação de pessoas com mais risco de ter câncer de pele.

Guerra na Ucrânia: o reforço de EUA e Alemanha

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No momento em que o conflito chega a um novo momento decisivo, Volodymyr Zelensky reassegurou o apoio de seus aliados ocidentais. Diante de mais uma ofensiva russa, Kiev recebe nesta sexta-feira (3) uma cúpula com a presença de líderes europeus, um movimento de “renovação de votos” em favor da Ucrânia. Mais importante ainda é a decisão de Joe Biden e Olaf Scholz de enviar mais tanques e munição para abastecer o exército ucraniano – o que, de acordo com Vladimir Putin, configura interferência externa e pode levar o conflito “a outro nível”. Para contextualizar o momento da guerra, Natuza Nery conversa com Tanguy Baghdadi, professor de relações internacionais da Universidade Veiga de Almeida e fundador do podcast Petit Journal. Neste episódio: - Tanguy explica por que este é um momento de “agora ou nunca” no conflito: com as recentes vitórias russas no leste ucraniano, Moscou pode tomar o controle de novos territórios; - Ele avalia como “muito sério para a imagem ucraniana” o conjunto de denúncias de corrupção no coração do governo de Zelensky; - O professor também comenta a recusa de Lula (PT) em enviar à Ucrânia munições brasileiras. “É uma questão de coerência”, afirma, em relação à longa “tradição de neutralidade em relação a conflitos”.

A reeleição de Pacheco e Lira no Congresso

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Logo depois de tomar posse neste 2 de fevereiro, parlamentares votaram para eleger os comandantes das duas Casas Legislativas. No Senado, Rodrigo Pacheco (PSD) conquistou 49 votos e derrotou o ex-ministro bolsonarista Rogério Marinho. Na Câmara, Arthur Lira (PP) bateu um recorde e recebeu 464 dos 513 votos possíveis. Mantidos em suas cadeiras, ambos fizeram discursos exaltando a democracia, marcando a reação aos atos terroristas de 8 de janeiro. Nesta conversa, gravada na antessala do gabinete de Arthur Lira, Natuza Nery recebe Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN. Neste episódio: - Bernardo explica como Pacheco e Lira – que enfrentaram disputas em contextos diferentes – mandaram “recados” ao STF em seus discursos pós-vitória; - Diz que a vitória de Pacheco é uma boa notícia para o Planalto, que nos últimos dias estava “assustado com a hipótese de virada” de Rogério Marinho, para quem Bolsonaro fez campanha: “uma virada criaria um problema enorme para a governabilidade”; - Avalia como a eleição do Senado era importante para a defesa da democracia, já que “[Rogério] Marinho era a grande aposta do bolsonarismo para se reagrupar depois do 8 de janeiro”, e lembra como o ex-presidente Bolsonaro fez campanha para seu ex-ministro; - E analisa o que a vitória superlativa de Lira significa para o futuro do governo Lula: “Lira sai mais forte do que estava na véspera”, mas pondera que é preciso "ver se esse acordo vai valer para os próximos dois anos”.

Como acabar com o garimpo na Terra Yanomami

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Datam da década de 1980 os primeiros sinais da presença de garimpeiros ilegais na região onde historicamente vive a etnia. Quando o então presidente Fernando Collor assinou a demarcação da Terra Indígena, em novembro de 1991, estima-se que o garimpo tivesse cerca de 40 mil pessoas em atividade. Aquele foi o início de um bem-sucedido processo de desintrução: liderada pela Funai e pela Polícia Federal, a operação Selva Livre expulsou os garimpeiros e desobstruiu os rios que abastecem as aldeias com água e peixes. O presidente da Funai à época era Sydney Possuelo, um dos principais indigenistas do país - ele relata a Natuza Nery as ações que liberaram o território da atividade criminosa. Natuza conversa também com a jornalista Sônia Bridi, que acompanhou in loco a comitiva do governo que decretou estado de emergência para levar comida e resgatar indígenas doentes. Neste episódio: - Sônia recorda o que viu ao ir à região do garimpo em terras Yanomami: cenário de destruição, pessoas com fome, crianças muito abaixo do peso, muitos contaminados com malária. “E os relatos mais horríveis que você pode imaginar”, reforça; - Ela também conta a história por trás da imagem na qual está segurando um bebê no colo – uma ação de emergência para evitar que as crianças morressem; - Sydney compara a situação do garimpo ilegal de 1992 e a de agora. E conta como agiu a operação Selva Livre: fechamento do espaço aéreo e dos rios, ação de tropa em campo e corte no abastecimento de alimentação e combustível dos garimpeiros. “Não vejo maiores problemas em fazer isso”; - O indigenista pondera que, embora o contingente atual de garimpeiros seja metade daquele enfrentado em 92, eles são “mais eficazes na destruição ambiental”. Ele também questiona sobre a presença do crime organizado e do narcotráfico na região; - E conclui, sobre a urgência da interferência das Forças Armadas em prol dos yanomamis: “Se a gente fala em guerra, uma guerra não avisa quando chega. Basta uma ação rápida”.

Reeleição em jogo na Câmara e no Senado

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Nos bastidores do Congresso, dois cenários distintos definem o clima da véspera de eleição para a presidência das casas. Na Câmara, Arthur Lira (PP) tem a expectativa de chegar a quase 500 votos a favor de sua reeleição – um bloco muito heterogêneo que vai de PT a PL. No Senado, Rodrigo Pacheco (PSD) segue favorito a mais um mandato, mas o bolsonarista Rogério Marinho (PL) avança na construção de uma candidatura competitiva. Para explicar e desvendar o que deve acontecer nesta quarta-feira (1º), Natuza Nery recebe o jornalista Paulo Celso Pereira, editor-executivo do jornal O Globo. Neste episódio: - Paulo Celso explica por que a eleição dos presidentes das casas legislativas “é fundamental para definir o andamento do governo Lula”; - Ele recorda os “traumas do PT” nas eleições da Câmara em 2005 e 2015 e diz por que isso foi importante no apoio imediato do partido a Lira – e como o Centrão deve tirar proveito da situação; - E descreve as diferenças entre o espírito “ideológico” do Senado em contraste com o “fisiológico” da Câmara - o que significa, para o governo petista, a necessidade de garantir a vitória de Pacheco para evitar a oposição sistemática da casa; - O jornalista conclui que, uma vez que o Congresso eleito é “bastante conservador”, será difícil para Lula aprovar uma agenda progressista, embora tenha apoio quase consensual nas pautas reformistas.

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