🇧🇷 Brazil Episodes

1676 episodes from Brazil

O vale-tudo das “narrativas”

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O dicionário diz que se trata da “exposição de uma série de acontecimentos mais ou menos encadeados”. Na política, porém, a palavra se perdeu numa epidemia de usos equivocados, quase sempre voltados ao diversionismo e à tentativa de ocultar verdades inconvenientes. Neste episódio, o apelo incessante à carta da “narrativa”, notadamente pelos bolsonaristas na CPI da Covid, compõe a trilha sonora da conversa de Renata Lo Prete com o jornalista Eugênio Bucci, professor da Universidade de São Paulo e autor do recém-lançado livro “A Superindústria do Imaginário”. Eugênio resgata o sentido original do termo -em diferentes mitologias, na literatura e no jornalismo. Passa por transformações ligadas à lógica dos mercados e chega às fake news, um território onde “a verdade não pesa”. Para ele, abster-se de responder pelos fatos é o "objetivo final dessa discurseira vazia e histérica".

André Mendonça no Supremo

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Falta formalizar a indicação, mas Jair Bolsonaro já afirmou com todas as letras que o advogado-geral da União é seu escolhido para a vaga que se abre com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello. Assim, o presidente cumpre o objetivo, anunciado na largada do governo, de instalar alguém “terrivelmente evangélico” no tribunal. Neste episódio, Bela Megale, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN, explica como Mendonça acabou prevalecendo sobre outros que cobiçavam a cadeira, notadamente o procurador-geral da República, Augusto Aras. E dá o termômetro da receptividade ao AGU no Senado, a quem cabe aprovar ou rejeitar a indicação. Renata Lo Prete entrevista também Felipe Recondo, sócio-fundador da plataforma Jota e autor de dois livros sobre o STF. O jornalista destaca dois aspectos do perfil de Mendonça. De um lado, a defesa incondicional das vontades de Bolsonaro. De outro, no bastidor, um comportamento apaziguador na relação com os ministros da Corte, o que faz dele um nome internamente mais palatável que o de Aras. Recondo analisa também o timing da indicação, feita num momento de seguidos ataques de Bolsonaro ao Supremo. E avalia que, goste-se ou não, é preciso reconhecer que ele sabe o que quer das opções que fez até aqui nessa área: tanto com Nunes Marques antes como com André Mendonça agora o presidente conseguirá “fazer tocar a sua música” no tribunal.

Luta de facções no Ministério da Saúde

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Antes de sair preso do depoimento à CPI da Covid, o ex-diretor de Logística Roberto Dias voltou suas baterias contra o coronel Elcio Franco, ex-número 2 da pasta, atualmente com cargo no Palácio do Planalto. A manobra é reveladora da disputa interna “entre um grupo estabelecido e um novo”, descreve Carlos Andreazza, colunista do jornal O Globo e apresentador da Rádio CBN. Dias, alçado ao posto por indicação do Centrão, é representante do primeiro. E Franco, o principal executivo do núcleo militar, que se tornou dominante na gestão do general Eduardo Pazuello. “Não tem santo nesse jogo” cujo prêmio é o controle dos contratos do Ministério da Saúde, observa o jornalista. Para que ninguém se perca diante de uma lista de nomes que não para de crescer, Andreazza e Renata Lo Prete examinam personagens como o coronel Blanco, o PM Dominghetti e o reverendo Amilton de Paula, identificando o papel de cada um no balcão de negociatas com vacinas. Andreazza analisa também a situação de Jair Bolsonaro: ainda que o presidente pretendesse arbitrar essa disputa, ele é hoje tão dependente do Centrão quanto dos militares que lotam a administração federal.

Taxação de dividendos na reforma do IR

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É o item mais controverso do projeto de lei apresentado pelo governo para mudar as regras de tributação da renda no país. A ponto de o ministro Paulo Guedes já admitir alterações num texto que mal começou a tramitar no Congresso. Este episódio traz, em entrevistas a Renata Lo Prete, as visões de dois economistas sobre o que está em discussão. Rodrigo Orair, do Ipea, até enxerga pontos a calibrar na proposta, mas considera que ela pega o caminho certo rumo a um sistema com menos distorções e mais parecido com o da maioria dos países. Já Bernard Appy, diretor do Centro e Cidadania Fiscal, avalia que, com medidas diferentes, seria possível atacar os problemas distributivos atuais sem gerar novas distorções. Entre as sugeridas por ele estão aumentar a base de contribuição das empresas, integrar a distribuição de lucros para pessoa física e jurídica e criar uma nova alíquota de IR, mais elevada, para o topo da pirâmide.

Prevaricação: crime e castigo

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Na base do inquérito sobre a malfadada compra da vacina indiana Covaxin está uma prática consumada quando um funcionário público deixa de cumprir os deveres do cargo, por interesse próprio ou má-fé. No caso, o funcionário sob suspeita vem a ser o presidente da República. Neste episódio, Isadora Peron, repórter do jornal Valor Econômico em Brasília, resgata as origens dessa investigação e avalia suas chances de prosperar, à luz do desinteresse da Procuradoria Geral da República em contrariar Jair Bolsonaro. Renata Lo Prete entrevista também Pierpaolo Bottini, professor de Direito Penal da Universidade de São Paulo. É ele quem explica a diferença entre crimes comuns (como prevaricar) e de responsabilidade (descritos, por exemplo, no superpedido de impeachment que acaba de ser apresentado por partidos e entidades). E lembra que, quando se trata do presidente, para processar é necessário haver autorização da Câmara dos Deputados. O criminalista ainda compara prevaricação e peculato (suspeita que paira sobre Bolsonaro diante da nova denúncia de rachadinha em seu gabinete, na época em que foi deputado federal): no segundo caso, a pena é bem maior. Mas, como se trata de evento anterior ao mandato no Planalto, Bolsonaro só responderia por ele depois de deixar o cargo.

Um retrocesso chamado distritão

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A ideia não é nova, mas nunca antes reuniu tanto apoio entre os parlamentares. Trata-se de abandonar, na eleição para deputados e vereadores, o sistema proporcional (vagas distribuídas de acordo com os votos dados aos candidatos e também às legendas). E adotar o majoritário (que considera apenas os nomes mais votados). Em entrevista a Renata Lo Prete, o cientista político Jairo Nicolau, da FGV, explica como esse modelo fragiliza os partidos e diminui a margem para renovação, reservando informalmente o mercado para quem já tem mandato, é mais conhecido ou concorre com abundância de recursos (ou tudo isso junto). Escolhido como “o pior sistema” num ranking especializado, ele “não é usado em nenhuma grande democracia atualmente”, diz Jairo. Participa também do episódio Nilson Klava, repórter da Globo em Brasília, para explicar a proposta de distritão misto, apresentada na tentativa de vencer as resistências ao distritão - e igualmente criticada por Jairo. Nilson aproveita para atualizar o ouvinte sobre o status de matérias correlatas em discussão na Câmara, como a reforma de regras para as eleições de 2022 e a emenda constitucional que pretende instituir a impressão do voto - esta última já descartada por 11 partidos.

Um escândalo para cada vacina

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Um policial militar sem qualquer experiência ou qualificação na área da saúde se apresenta à CPI da Covid como intermediário de uma empresa que ofereceu 400 milhões de doses do imunizante da AstraZeneca ao governo Bolsonaro num negócio bilionário, ouvindo em resposta um gordo pedido de propina. Em condições minimamente normais, Luiz Paulo Dominguetti, o depoente desta quinta-feira, “não passaria da portaria do ministério”, observa Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo, comentarista da rádio CBN e apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura. “Mas não só passou como foi a três reuniões”. Mesmo com muito ainda por ser esclarecido, a história de Dominguetti é reveladora do modus operandi do governo Bolsonaro em relação às vacinas. E tem elementos em comum com encrencas ainda maiores, como a que resultou na suspensão do contrato de compra da indiana Covaxin e derrubou o diretor de logística Roberto Dias. “O que se tem é um ambiente propício a esse tipo de personagem e a toda sorte de negociata”, analisa Vera. E em flagrante contraste com o longo período de desinteresse oficial pelas ofertas da Pfizer e do consórcio Covax Facility, bem como de campanha do presidente da República contra a Coronavac. Na conversa com Renata Lo Prete, Vera trata ainda da união estável entre indicados do Centrão e militares no Ministério da Saúde, visível em vários casos agora investigados pela CPI.

Militares no governo: liberou geral

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Enquanto, no Congresso, uma emenda constitucional reguladora da presença de integrantes das Forças Armadas em cargos de natureza civil encontra dificuldades para avançar, o Executivo agiu com rapidez - e no sentido oposto. Já está em vigor um decreto que torna ainda mais difícil disciplinar uma mistura que, na gestão de Jair Bolsonaro, atingiu nível sem precedentes. Justo no momento em que o fracasso na gestão da pandemia mais assombra o presidente. E quando auxiliares como o general Eduardo Pazuello e o coronel Elcio Franco têm dificuldade em se explicar diante dos indícios de corrupção no Ministério da Saúde. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com Fernando Rêgo Barros, repórter da Globo em Brasília, para detalhar o que muda com o decreto e entender por que o Congresso até aqui não se animou a aprovar PEC. Participa também do episódio Alcides Vaz, ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa e professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília. Alcides explica por que a crescente presença de militares no governo gera “perda de credibilidade” e “distanciamento da realidade” das Forças Armadas. Ele também alerta sobre o risco deflagrado pela proposta de que civis possam ser julgados Justiça Militar. “É preocupante de assustador, como um ato de exceção. É algo que põe em questão a liberdade de pensamento e expressão”, afirma.

Ricardo Barros e os negócios da vacina

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Pelo líder do governo na Câmara passam várias das histórias sob investigação na CPI da Covid -começando pela que levou à suspensão, nesta terça, do contrato de compra da indiana Covaxin. Expoente do Centrão, ministro da Saúde na gestão Temer e sobrevivente de diversos escândalos, o deputado do PP virou problema de difícil solução para o presidente Jair Bolsonaro, avalia Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN. Seja porque sabe demais, seja porque na trama da Covaxin está enredado também o senador Flavio Bolsonaro. Neste episódio Renata Lo Prete conversa ainda com Renan Truffi, repórter do jornal Valor Econômico em Brasília. É ele quem ajuda a encaixar as peças de um quebra-cabeças que não para de crescer: agora o governo já está às voltas com outra acusação, de cobrança de propina em doses do imunizante da AstraZeneca.

Impeachment no Brasil

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Na Câmara, são mais de cem pedidos de abertura de processo contra Jair Bolsonaro - e um novo deve ser apresentado nesta semana. Quantidade, porém, não significa necessariamente viabilidade, explica neste episódio Rafael Mafei, professor da Faculdade de Direito da USP. À diferença dos antecessores Fernando Collor e Dilma Rousseff, o atual presidente veio até aqui blindado por suficiente apoio parlamentar. Mas a suspeita de acobertamento de negócios escusos na compra de vacinas contra a Covid-19 pode comprometer esse escudo protetivo. “Sem o discurso de que não há corrupção no governo, vai ficar difícil se sustentar”, afirma o autor do recém-lançado “Como Remover um Presidente - teoria, história e prática do impeachment no Brasil”. Em entrevista a Renata Lo Prete, Mafei resgata a origem desse instrumento no nosso ordenamento político-jurídico. Analisa, ao lado da caracterização de crime de responsabilidade, o peso de fatores como anemia econômica e erosão de popularidade. E avalia os custos de curto e de longo prazo da permanência de Bolsonaro, um presidente “que tem orgulho de agredir os valores da Constituição”.

A mobilização indígena contra o PL 490

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Povos indígenas estão mobilizados há semanas em Brasília em vários pontos do país contra o projeto que muda as regras para a demarcação das terras indígenas. O PL 490, apresentado em 2007, foi desengavetado pela base governista na Câmara e teve seu texto-base aprovado na CCJ – comissão comandada pela deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF). “Falar da demarcação de terras indígenas é falar de condição de vida e da continuidade existencial dos povos indígenas”, diz a advogada Samara Pataxó, coordenadora jurídica da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. Samara é uma das entrevistadas de Natuza Nery neste episódio. Ela explica em que o projeto fere uma cláusula pétrea da Constituição e rebate o argumento de que os povos originários, donos de 13% do território brasileiro, são subdesenvolvidos. “Quem diz isso não conhece as múltiplas vivências indígenas. O que deve ser levado em conta é a forma como nossos povos se relacionam e como funciona nosso desenvolvimento sustentável”. Participa também deste episódio Delis Ortiz, repórter da TV Globo em Brasília. Ela explica os trechos mais polêmicos do texto, como a possibilidade de retomada de áreas não demarcadas pela União, a flexibilização para atividades econômicas dentro de territórios e o marco temporal – tema que está na pauta do STF nesta semana. “É, de novo, uma boiada que está se aproximando para passar”, relata Delis.

Covaxin, CPI da Covid, e os irmãos Miranda

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As suspeitas que pairam em torno das negociações de compra da vacina indiana agitaram a semana da CPI – e do governo. A gestão que esnobou a vacina da Pfizer e passou meses criticando a Coronavac acelerou a contratação de 20 milhões de doses da Covaxin, em uma negociação de R$ 1,6 bilhão. Nesta sexta-feira a Comissão espera o servidor do Ministério da Saúde que disse ter alertado o presidente Jair Bolsonaro sobre irregularidades na compra. Neste episódio, Natuza Nery entrevista Thomas Traumann, jornalista e analista político. Ele explica como os depoimentos de Miranda e do irmão dele, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) podem impactar o governo. "A partir de agora estamos falando de dinheiro público", diz. Traumann avalia ainda o impacto das suspeitas e aponta como a "reação desmedida" do governo escancara o medo do Planalto sobre o caso, que "chega no círculo muito perto do presidente". E conclui como o caso pode impactar a popularidade de Bolsonaro em um momento de piora da pandemia. "O inverno chegou para o governo", avalia.

A saída de Ricardo Salles

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Na mira do STF, o ministro "da boiada", dos recordes de desmatamento, das queimadas e do desmonte dos órgãos de fiscalização pediu demissão no meio da tarde da quarta-feira. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Jussara Soares, repórter do jornal O Globo em Brasília. Jussara relembra como Salles se manteve no cargo por 30 meses, mesmo depois sucessivos escândalos - o maior deles, a operação da PF, em maio, da qual foi um dos alvos principais. "Salles ficou porque ele cumpria as demandas de Bolsonaro". Ela explica por que o presidente "nunca quis demitir" o ministro e conta os bastidores da entrega do cargo - e de como o cerco das investigações autorizadas pelo Supremo foram decisivas. Elas analisam também o que a saída do ministro diz sobre a situação atual do governo, que precisa explicar as suspeitas de irregularidade nas negociações da vacina indiana Covaxin.

O vai e vem no calendário da vacinação

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Em um dia, antecipação. No outro, falta de vacinas e suspensão da aplicação. Nesta terça-feira, capitais registraram falta de imunizantes para a 1ª dose contra a Covid. E o Ministério da Saúde, que deveria coordenar a distribuição e garantir as vacinas, é parte da confusão e já revisou várias vezes a previsão de chegada e entrega de doses. Neste episódio, Natuza Nery recebe duas convidadas: Carla Domingues, ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunização, e Ana Carolina Moreno, jornalista de dados da TV Globo. "Não estamos em uma maratona, precisamos chegar todos juntos", afirma Carla, ao explicar como a falta de coordenação e de comunicação clara à população prejudicam a campanha. Para ela, calendários diferentes provocam "deslocamentos a outras cidades" e bagunçam o processo de imunização. Ana Carolina explica como as doses são repassadas do Ministério da Saúde para Estados e, depois, para municípios. E como a quantidade de vacinas disponíveis agora coloca em risco a aplicação da 2ª dose a quem precisa recebê-la.

500 mil mortes, e o Brasil mais triste

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Enquanto as vítimas da Covid ultrapassam a trágica marca de meio milhão, outros índices reforçam as inúmeras e várias perdas para o país. Pesquisa realizada pela FGV-Social constatou que o brasileiro nunca esteve tão infeliz: a percepção de bem-estar despencou quase 20% no último ano. “Ao fim da década, a fotografia é de que andamos para trás, com um impulso final dado pela Covid”, analisa Marcelo Neri, economista e diretor da FGV-Social, que coordenou a pesquisa. “A pandemia é como um teste coletivo no qual estamos indo muito mal”. Esta conclusão está baseada nos resultados objetivos – caso do crescimento recorde da desigualdade de renda entre ricos e pobres. E também nos subjetivos – a auto avaliação de felicidade caiu entre brasileiros, na contramão do resto do mundo – descobertos pelo trabalho, somada ao déficit educacional das crianças da “geração Covid” (entre 5 e 9 anos) e à falta de perspectiva de emprego para os jovens que ingressam no mercado de trabalho. Neste episódio, Natuza Nery entrevista Marcelo sobre causas e consequências da tragédia brasileira. “Está claro que falhamos em três frentes: na saúde, na inclusão produtiva e na educação”, conclui.

Os bandidos da banda larga

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A expressão, estampada na capa da mais recente edição do semanário britânico “The Economist”, indica a ameaça global representada por um tipo de crime que triplicou de frequência em menos de uma década. Entre os alvos mais recentes estão a Colonial Pipeline Company, fornecedora de combustível para metade da costa leste dos EUA, e a multinacional de origem brasileira JBS, líder mundial no setor de carne. Ambas pagaram milhões de dólares para reaver dados roubados e reverter o colapso dos serviços que prestam. Neste episódio, Altieres Rorh, colunista de segurança digital do G1, explica como funcionam os ataques cibernéticos, de que maneira a pandemia facilitou a ação dos criminosos e por que é tão difícil, para os atingidos, seguir a recomendação das autoridades de não pagar resgate. Ele também avalia as suspeitas que, em muitos desses casos, pairam sobre a Rússia - não à toa, o tema esteve no topo da agenda do encontro Biden-Putin. “É muito raro a Rússia anunciar que prendeu algum autor, algo no mínimo curioso", diz. Renata Lo Prete entrevista ainda o advogado Rafael Zanatta, diretor da associação Data Privacy Brasil de Pesquisa. Ele critica o pouco interesse do Brasil em participar dos esforços mundiais de combate à insegurança cibernética. “É uma estrutura de crime organizado internacional", afirma, “o que demanda cooperação entre países para punir e lidar com o problema”.

Lei de improbidade: o que muda?

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Com apoio da direita à esquerda e placar folgado (408 x 67), a Câmara alterou diversos pontos da lei que, há quase três décadas, é usada para punir desvio de recursos públicos, enriquecimento ilícito no cargo e uso deste para obtenção de vantagens indevidas. A principal novidade é a exigência de que seja caracterizada intenção por parte do acusado, relata Camila Bonfim, repórter e apresentadora da Globo. Ela detalha essa e outras mudanças, assim como o bastidor de uma aprovação do interesse direto dos parlamentares - vários deles, como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com pendências na Justiça. Apesar do viés, muitos operadores do direito recomendam cautela antes de condenar por inteiro o texto, que irá agora ao Senado: sustentam que a matéria precisa mesmo de atualização, para distinguir mais claramente crimes de erros administrativos. Eliana Calmon, ministra aposentada do STJ e ex-corregedora nacional de Justiça, concorda até o ponto de defender modulação das penas. Mas para por aí: "Exigir dolo para incriminação é praticamente dizer que a lei não vai mais existir”.

O saldo da cúpula Biden-Putin

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Dos ataques cibernéticos à Ucrânia, da interferência nas eleições de 2016 ao encarceramento do líder oposicionista Alexei Navalny, o contencioso entre Estados Unidos e Rússia é extenso, e ninguém esperava que diminuísse significativamente com a reunião desta quarta-feira em Genebra entre os presidentes dos dois países, a primeira desde a troca de comando na Casa Branca. Mas ambos conseguiram o ganho de imagem que esperavam, analisa o jornalista Guga Chacra, correspondente da Globo em Nova York. De olho principalmente no público interno, o americano afirma ter feito “advertências” ao russo, que por sua vez lucra com o simples reconhecimento de sua posição estratégica na cena global. Neste episódio, Guga passa em revista os principais gargalos da pauta bilateral e fala também do “sujeito oculto” da cúpula: a China, cuja ascensão explica todos os movimentos dos EUA, tanto para se reaproximar dos aliados europeus quanto para evitar a escalada das tensões com a Rússia.

O medo da variante delta

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Das mutações preocupantes do novo coronavírus que se acumulam desde o início da pandemia, a que mais assusta o mundo no momento é a originária da Índia, batizada com a quarta letra do alfabeto grego. Nos EUA, ela vai ganhando terreno rapidamente. E no Reino Unido, outro país de vacinação avançada, tornou-se dominante, provocando um surto de casos às portas do verão. De Londres, o correspondente Pedro Vedova detalha as medidas que o governo de Boris Johnson se viu obrigado a tomar para conter a nova sobrecarga dos hospitais, adiando o esperado “Dia da Liberdade” - como os britânicos se referem ao fim de todas as restrições. E anota o valor da imunização: os óbitos, felizmente, não estão acompanhando a alta. Participa também deste episódio a epidemiologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo. A professora enumera as evidências de que a delta é a mais contagiosa das variantes já identificadas. Expõe o debate sobre o grau de eficácia das atuais vacinas contra ela. E ainda faz um alerta ao Brasil: só uma campanha de imunização completa e mais célere evitará que a delta faça por aqui o estrago que a gama ainda faz.

O bolsonarismo de motocicleta

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Pressionado pelos efeitos da pandemia em sua popularidade e pelo cerco da CPI, o presidente da República encontrou um jeito peculiar de demonstrar que tem apoio: as “motociatas”, percursos feitos por ele na companhia de motociclistas, eventos bancados com dinheiro público em que se misturam infrações sanitárias e de trânsito. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com Guilherme Caetano, repórter do jornal O Globo que cobriu o mais recente desses atos, no sábado passado em São Paulo. É ele quem identifica os organizadores e traça o perfil dos participantes (cerca de 12 mil, segundo a Secretaria Estadual da Segurança Pública). Apesar da temática evangélica da convocação, eram, em sua maioria, “integrantes de motoclubes”, diz Guilherme. Segundo ele, tanto pilotos quanto veículos guardavam pouca semelhança com os motoboys que respondem por boa parte dos serviços de entrega nas cidades brasileiras. Participa também o cientista político Christian Lynch, professor do Instituto de Estudos Políticos e Sociais da UERJ. Para ele, o desfile de motos é a forma de manifestação escolhida pelo presidente por dar uma sensação de volume superior ao real - num momento em que a oposição passou a disputar as ruas. E por conversar com seu público mais fiel. Uma “estratégia populista reacionária”, define Lynch. “Mas quando se quer transmitir tanta força é porque ela está em falta na prateleira".

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