🇧🇷 Brazil Episodes

1676 episodes from Brazil

Brasileiros sem documento: os verdadeiros invisíveis

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Segundo o último dado oficial disponível, são cerca de 3 milhões de pessoas que, como Maria Helena Ferreira da Silva, chegam à vida adulta (e eventualmente à idade avançada) sem certidão de nascimento. No caso da agricultora de 70 anos, que vive no interior do Paraná, a carência virou barreira na hora de se vacinar contra a Covid-19. No posto, recomendaram-lhe que se conformasse em ficar sem o imunizante, “porque o governo nem sabia que eu existia”. Ela só veio a receber a primeira dose meses depois, por ação da Defensoria Pública, e agora está perto de conseguir a tão sonhada certidão de nascimento. “A gente fica envergonhado, né?” O relato feito por Maria Helena ao podcast introduz a conversa de Renata Lo Prete com Fernanda da Escóssia, autora do recém-lançado livro "Invisíveis - Uma Etnografia sobre Brasileiros sem Documento", fruto da tese de doutorado da jornalista na Fundação Getúlio Vargas. Ela explica o papel fundador desse registro e o efeito bola de neve que a ausência dele provoca: vai ficando mais difícil obter outros documentos e, com o passar dos anos, limitações muitos concretas se apresentam, notadamente no acesso aos serviços públicos de educação e saúde. Editora na revista Piauí, com longas passagens pelos jornais O Globo e Folha de S. Paulo, Fernanda se interessa há quase duas décadas por um fenômeno que descreve como “transversal”, porque ligado a múltiplos fatores, como miséria e desestruturação familiar. Em sua pesquisa e nesta entrevista, ela conta histórias de pessoas que conheceu no momento em que buscavam o registro de nascimento e reencontrou tempos depois -- quando haviam resgatado direitos, cidadania e às vezes o próprio "fio da vida".

Os sinais de que o Brasil está secando

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O problema tem escala global. A ONU estima que, nos últimos 20 anos, mais de 1,5 bilhão de pessoas entraram em situação de “insegurança hídrica”. E o Brasil, a despeito de sua riqueza natural, é duramente atingido. A escassez crescente de chuvas, associada a queimadas e desmatamento, se traduz em “quase 16% da cobertura de água perdida nos últimos 35 anos”, informa Sônia Bridi, repórter especial do Fantástico. Em conversa com Renata Lo Prete, ela conta o que viu em suas viagens pelo país: um Pantanal 60% mais seco, um rio Paraguai que se pode cruzar a pé, ribeirinhos sem peixes para pescar e agricultores com a colheita reduzida. “São dramas humanos e da natureza, cujos reflexos se espalham até muito longe dali”. Além do Brasil, África, Austrália e China convivem com a ameaça de estiagens mais longas -ou até crônicas- conforme sobe a temperatura do planeta. Participa também do episódio Gilberto Câmara, ex-diretor do Inpe e integrante do conselho consultivo do último relatório da ONU para a redução de riscos e desastres. Ele explica os modelos científicos que embasam as recomendações das Nações Unidas. “A palavra-chave é adaptação”, diz. “Nosso planejamento precisa contemplar ações de adaptação às crises”.

A hora e a vez do gabinete de 02

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Com a autorização da Justiça para quebra dos sigilos fiscal e bancário de Carlos Bolsonaro, o Ministério Público do Rio de Janeiro terá instrumentos para apurar se, além dos indícios de manutenção de fantasmas, o mandato do vereador envolveu outra prática associada a seu irmão mais velho, o senador Flavio, quando deputado estadual: o recolhimento de parte do salário dos funcionários, mais conhecido como rachadinha. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com Juliana Castro, da plataforma Jota, que dois anos atrás participou, como repórter de O Globo, da investigação jornalística que deu origem à ação do MP. Ela descreve a teia de familiares, agregados e conhecidos do clã presidencial espalhada pelos diferentes gabinetes dos Bolsonaro - inclusive o de Jair na Câmara. E explica o papel de destaque desempenhado por Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente e chefe de gabinete de Carlos de 2001 a 2008. Participa também do episódio Octávio Guedes, colunista do G1 e comentarista da GloboNews, que lança a seguinte pergunta: “Quem ensinou Flávio e Carlos a fazer rachadinha?" Ele analisa o que há de semelhante no modus operandi dos gabinetes da família e, ao mesmo tempo, por que Carlos é "tormenta maior no planeta Bolsonaro": mais próximo do pai que qualquer um dos irmãos, ele está sob ameaça também no inquérito das fake news.

O terror dos grandes assaltos no interior

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Foram pelo menos dez a agências bancárias do país em menos de dois anos, todos com cidades de médio ou pequeno porte como alvo. E características semelhantes: grupo numeroso de executores, armamentos e explosivos de tecnologia avançada, ação espetaculosa e quase sempre conduzida na madrugada. Neste episódio, a antropóloga Jânia Perla, do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará, resgata o histórico que desembocou nessa modalidade de crime. Ela explica por que “novo cangaço”, termo usado por alguns policiais e analistas, é “nomenclatura imprecisa", que dá caráter rudimentar a algo de planejamento sofisticado e alto potencial de dano. Participa também o jornalista Rafael Honorato, repórter da TV Tem, filiada da Globo no interior de São Paulo. Ele relata o que testemunhou em Araçatuba na madrugada do assalto mais recente. Descreve veículos incendiados e moradores em pânico ao acordar com o barulho dos disparos. “Virou uma cidade deserta, como eu nunca tinha visto”.

PIB impaciente com Bolsonaro, mas nem tanto

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Num quadro de deterioração das expectativas econômicas e seguidas ameaças do presidente da República à ordem democrática, centenas de representantes dos setores financeiro e produtivo costuraram um manifesto que passa ao largo de qualquer crítica direta, apenas pedindo entendimento entre os Três Poderes em nome da recuperação da atividade. Foi o bastante para que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal ameaçassem pular fora da Febraban, uma das signatárias. E a publicação do texto acabou adiada (apenas o agronegócio lançou sua carta aberta). Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com o jornalista Thomas Traumann sobre o que extrair de significado desse vaivém e da repercussão que o documento alcançou antes mesmo de vir à luz. À diferença de iniciativas anteriores, esta não é de pessoas físicas. “Reverbera muito mais”, diz ele. Autor de livro sobre a trajetória de 14 ministros da Fazenda, Thomas analisa a coincidência de o manifesto entrar em pauta no momento em que aparecem, na avenida Faria Lima, cartazes nos quais a imagem de Paulo Guedes vem acompanhada da expressão “faria loser”. Mesmo perdendo todas, ele "vai ficando", até porque os candidatos a substituí-lo vão desaparecendo. “A sensação é de um governo que já se exauriu em suas pretensões". No vácuo, ganha protagonismo o presidente da Câmara, que negociou pessoalmente o adiamento. “Em nenhum outro governo Arthur Lira teria tanto poder".

Os indígenas acampados em Brasília

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Em sua maior mobilização em pelo menos 3 décadas, mais de 6 mil representantes de dezenas de etnias marcam presença, há uma semana, nas proximidades do Supremo Tribunal Federal. O motivo é um julgamento, que a Corte deve retomar nesta quarta, cujo desfecho ameaça limitar o que há de mais essencial para esses povos: o direito originário à terra. Neste episódio, Renata Lo Prete recebe duas convidadas: Samara Pataxó, coordenadora jurídica da Articulação dos Povos Indígenas, e Isadora Peron, repórter do jornal Valor Econômico. Samara, entrevistada num intervalo dos trabalhos na manifestação, explica como a tese do “marco temporal” contradiz o texto da Constituição, ao restringir o direito a quem puder comprovar que já estava no território em 1988. A Carta “reconhece claramente que a relação com a terra é ancestral” -- o que, lembra Samara, “não tem relação com critérios temporais”. Ela puxa o fio dessa história, que começa em outro julgamento (do caso da reserva Raposa Serra do Sol, em 2009), passa por decisão tomada na gestão Temer e vem dar na ostensiva política contrária aos indígenas do governo Bolsonaro. A conversa com Isadora esclarece os interesses em jogo no atual julgamento, que trata de disputa envolvendo os Xokleng, de Santa Catarina. Em especial, o interesse do agronegócio pela limitação do direito originário. A repórter adianta a possibilidade de um dos ministros pedir vista, para ganhar tempo. E também a de uma “solução intermediária”, a partir de costura interna no tribunal.

Crise hídrica: o que Paulo Guedes não vê

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Depois de meses de inação, o governo ensaia as primeiras medidas para reduzir o consumo de energia, enquanto o Operador Nacional do Sistema Elétrico alerta: já a partir de outubro, não será possível garantir que as usinas supram a demanda do país. Ainda assim, o ministro da Economia pergunta “qual é o problema” de termos tarifas mais caras “se choveu menos”. A ex-diretora da Aneel Joisa Dutra, atualmente na FGV, explica: os reajustes da conta de luz, um dos vilões da escalada inflacionária, têm o poder de se disseminar por uma série de preços de produtos e serviços. Fora o impacto negativo de um eventual racionamento - que até aqui o governo descarta - sobre o crescimento do PIB, como aconteceu em 2001. Participa também do episódio Manoel Ventura, repórter do jornal O Globo. É ele quem mapeia o status dos reservatórios diante da maior seca em quase um século, detalhando o plano oficial de usar o sistema do Nordeste para socorrer o Sudeste, onde a situação é pior. Manoel comenta ainda o bem-vindo avanço na produção de energia eólica e solar.

Destruição ambiental: o olhar do fotógrafo andarilho

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Em meio século de viagens pelo país, Araquém Alcântara testemunhou como poucos as mudanças sofridas por nossos principais biomas. Tempo suficiente para se indignar com “a incapacidade dos brasileiros de entender a importância de seu maior patrimônio”. Neste episódio, que celebra o aniversário de 2 anos de O Assunto, Araquém conta a Renata Lo Prete algumas das histórias que ouviu e, principalmente, das cenas que registrou em fotos premiadas aqui e no exterior. Em uma dessas passagens, relata seu encontro com uma onça-pintada, em setembro de 2020, no Pantanal destruído pelas chamas. “Nunca tinha visto um fogo tão avassalador”, relembra. E ali teve “uma epifania”, diante “daquele animal belo como uma esfinge, me olhando com uma expressão que dizia ‘vai dar certo’.” Araquém fala ainda da Amazônia, cuja paisagem, em anos recentes, foi transformada pelo “crescimento vertiginoso do garimpo ilegal”. E alerta para a urgência de tratar da questão ambiental como “do pão que comemos”.

Senado parceiro da recondução de Aras

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Da sabatina amistosa na Comissão de Constituição e Justiça ao folgado placar no plenário, nada fez lembrar a turbulência política dos últimos dias e os questionamentos que pesam sobre o procurador-geral da República. Diante da CCJ, Augusto Aras cantou a música que todos ali queriam ouvir, analisa Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo, comentarista da Rádio CBN e apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura. A saber: contra a “criminalização da política” e os excessos da extinta força-tarefa da Lava Jato. Em conversas prévias, “ele convenceu senadores a descasar a recondução dele da indicação de André Mendonça ao Supremo”, explica Vera na conversa com Renata Lo Prete. No caso de Mendonça, prevê a jornalista, o Senado tende a optar pelo "banho-maria", pelo menos até ver até onde vai a escalada golpista de Jair Bolsonaro. Com mais dois anos à frente da PGR, caberá a Aras receber o relatório final da CPI da Covid -o que abre a perspectiva de alguma redução de danos para o presidente da República.

Otimismo do mercado: tinha, mas acabou

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Faz tempo que o discurso animado do ministro Paulo Guedes tem pouca aderência com a realidade da maioria dos brasileiros. A novidade é a deterioração das expectativas de quem, até aqui, vinha endossando as opções do governo Bolsonaro na economia. Ibovespa negativo no acumulado do ano, real se desvalorizando muito além de outras moedas, juro futuro empinando na contramão do mundo: é a “reprecificação do risco Brasil”, explica neste episódio Mário Torós, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central e sócio-fundador da Ibiúna Investimentos. Na origem do fenômeno está, segundo ele, o desmantelamento do edifício fiscal que começou a ser construído no governo Temer. “O que a gente vê são notícias constantes de busca de novos gastos e despesas", diz ele, referindo-se à primazia do projeto reeleitoral do presidente da República sobre o teto de gastos. E a constante pregação golpista de Bolsonaro também tem seu peso: “Essa direção é equivocada. Economias prósperas são democracias modernas".

Crianças com deficiência e a inclusão nas escolas

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Noadias Novaes é professora no sertão do Ceará. Desde o início da pandemia ela vai de bicicleta dar aulas a crianças com deficiência — e com escolas fechadas, passou a agregar alunos sem deficiência, a pedido das famílias. "Todos ganham, principalmente com a descoberta de valores que não se aprendem nos livros: respeito, diversidade, empatia", diz Noadias em conversa com Natuza Nery neste episódio. A professora relata como é seu dia a dia ao ensinar crianças de várias idades e níveis diferentes de conhecimento. "O ambiente escolar é uma extensão da sociedade – e por isso não pode ser excludente", resume. Noadias relata como a inclusão de crianças com deficiência em salas "comuns" ajuda no aprendizado de todos, ao contrário do que declarou o ministro da Educação Milton Ribeiro no fim da semana passada. "Um aluno com deficiência não atrapalha. Ele só nos ensina", afirma. Neste episódio participa também Rodrigo Hübner Mendes, fundador e diretor do Instituto Rodrigo Mendes, que pesquisa técnicas de ensino para pessoas com deficiência. Rodrigo relembra a revolução pela qual o país passou nas últimas duas décadas em relação à inclusão. "É um direito da criança estar em convívio em uma escola comum", diz. Sobre a fala do ministro – que declarou que 12% das crianças com deficiência tornam "impossível a convivência" em sala de aula - Rodrigo é claro: "estudo esse assunto há 25 anos, não sei de onde ele tirou esse número". Para ele, o apoio ao professor é um dos pilares da inclusão. Rodrigo reforça ainda como a educação "melhora para todos" quando escolas matriculam alunos com deficiência. "Poder ter perfis variados é muito valioso. Isso estimula habilidades e competências valiosas para o mundo contemporâneo", conclui.

Idosos, a Covid e a 3ª dose

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Antes da vacinação engrenar no Brasil, o grupo que mais registrava casos graves e internações por Covid eram os maiores de 60 anos. Eles, junto com os profissionais de saúde, foram os primeiros a receberem o ciclo completo de imunização. Agora, meses depois da aplicação das doses, o número de pessoas internadas com 80 ou mais atingiu o maior patamar desde o início da pandemia, afirma a Fiocruz. “A vacina não zera o risco. Ela diminui, e muito, mas não zera”, reforça o pesquisador Marcelo Gomes, integrante dos Métodos Analíticos em Vigilância Epidemiológica da Fiocruz e coordenador do Boletim Infogripe. Em entrevista a Natuza Nery, Marcelo explica a alta das internações das pessoas acima de 60 anos em cidades como Rio e São Paulo e defende a aplicação da terceira dose neste grupo. “Não sabemos se de fato vai melhorar, mas não oferece riscos. Neste cenário, acho importante antecipar”, opina. Também neste episódio, o infectologista Bruno Scarpellini conta o que vê no dia a dia da UTI de Covid do Hospital Samaritano Vitória, na capital fluminense.

O Brasil com fome de novo

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Depois de sair do mapa da fome da ONU, em 2013, estamos de volta ao mesmo patamar de insegurança alimentar do início dos anos 2000: quase 10% dos brasileiros não têm o que comer. “É a história se repetindo como farsa e como tragédia”, sentencia Marcelo Canellas, repórter do Fantástico, em entrevista a Natuza Nery. Em 2001, Canellas rodou o país para uma série de reportagens sobre a fome no Brasil e, agora, 20 anos depois, enfrenta novamente o desafio de contar as mesmas histórias. “Vejo um país concentrador de renda, concentrador de terra e um lugar no qual os ricos devem aos pobres o financiamento da educação pública”. Participa também deste episódio o economista Walter Belik, diretor-geral adjunto do Instituto Fome Zero e professor titular aposentado da Unicamp. Ele explica como os índices de segurança alimentar já vinham caindo desde antes da pandemia - resultado do desmonte de políticas públicas que tornaram o Brasil exemplo para o mundo. Belik fala ainda do paradoxo brasileiro (que produz cada vez mais comida enquanto o número de famintos cresce) e dá a receita para o governo tirar o país da atual “situação de urgência da fome”.

Haiti: um país desolado

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Em 2010 um terremoto deixou mais de 200 mil mortos na ilha – e desde então o país nunca se recuperou. Agora, outro tremor e um ciclone fizeram mais vítimas no Haiti, que vivia uma crise política depois do assassinato do presidente. "Minha família está desesperada", relata Franceline Loregeant, haitiana que vive no Brasil desde 2014. Franceline conta os momentos de apreensão ao tentar localizar o irmão no último fim de semana – ele perdeu o celular depois do terremoto e ficou incomunicável. "A casa onde ele trabalha, destruiu tudo", diz. Ela narra a situação da família e diz que "não há abrigo", ao contar que a casa da mãe está cheia de água. Neste episódio, Natuza Nery conversa também com a repórter da TV Globo Lilia Teles, que participou da cobertura do terremoto em 2010 e voltou à ilha várias outras vezes. Lilia explica como o país, o qual "o mundo virou as costas" e vive "afundado em corrupção", nunca conseguiu se reconstruir. E relembra como ajudou a salvar uma mulher grávida dos escombros em 2010. "Nunca mais me esqueci daquilo. Sou uma Lilia antes e outra depois do Haiti".

Afeganistão na mão do Talibã

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"As meninas estão com muito medo", relata a jornalista Adriana Carranca sobre a situação de mulheres afegãs em pânico depois da tomada de poder pelo grupo extremista. Adriana é uma das convidadas de Natuza Nery neste episódio - autora do livro "O Afeganistão depois do Talibã", ela viajou ao país quatro vezes e diz que a sensação ao chegar lá é de "voltar 2 mil anos" no tempo. Segundo Adriana, em sua última visita (2014) já era possível notar como o grupo estava perto de Cabul. A jornalista narra como afegãos estão "sitiados em casa" e relembra como os extremistas adotaram a tática de "saída estratégica" durante a invasão norte-americana 20 anos atrás. É Adriana quem explica as origens do grupo – cujo nome significa "estudante". "Os talibãs eram jovens e crianças que foram treinados para devolver a paz ao Afeganistão na guerra contra os soviéticos". Participa também Daniel Wiedemann, coordenador da redação da TV Globo em Nova York. Ele pontua como a retomada de poder por parte dos talibãs já era esperada: "a grande surpresa é a velocidade dessa tomada", diz. Daniel fala que esta não é apenas uma derrota de Joe Biden, mas sim "de quatro presidentes americanos, na mais longa guerra da história dos EUA", que começou com os ataques às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. Para ele, agora Biden terá que lidar com o risco de o Afeganistão se tornar um "paraíso para terroristas".

As coligações e a reforma eleitoral

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Há 4 anos deputados baniram as coligações nas eleições proporcionais. A medida valeu em 2020, quando foram eleitos vereadores, mas seu grande teste está previsto para 2022 – quando os cargos proporcionais em disputa serão os de deputado estadual e federal. Mas agora a Câmara tenta voltar com esse mecanismo, em um movimento que beneficia partidos nanicos e de aluguel. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Bruno Carazza, colunista do jornal Valor Econômico e autor do livro “Dinheiro, eleições e poder”. Carazza explica como o fim das coligações deixaria o sistema “mais claro” para eleitores e como ainda diminuiria o incentivo a partidos que “vivem da venda de apoio” ao governo. Ele analisa como o Brasil vive um “sistema disfuncional”, com dezenas de partidos, o que acarreta “dificuldade de negociar”, com negociações custosas – tanto do ponto de vista financeiro quanto político. E conclui como todos os movimentos recentes de reforma eleitoral vão na mesma direção: tornar a política mais excludente.

O tumulto de Ricardo Barros na CPI

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Líder do governo na Câmara, o deputado passou a ser personagem central no caso Covaxin ainda em junho. Ele foi citado pelos irmãos Miranda nas suspeitas de irregularidades na compra da vacina indiana. E nesta quinta-feira se sentou à frente de senadores: "a estratégia de defesa acabou sendo o ataque", diz Bernardo Mello Franco em conversa com Natuza Nery neste episódio. Bernardo analisa como o deputado "não se intimidou" e manteve firme o "pacto de proteção mútua" com o presidente. "Bolsonaro blinda Barros. E Barros não diz nada que comprometa o presidente", define. Bernardo explica ainda como a CPI pode se beneficiar de uma futura sessão com Barros, desta vez tendo o líder do governo no papel de convocado – o que o obriga a dizer a verdade. A expectativa, segundo ele, é que até lá a comissão tenha em mãos dados da quebra de sigilo do deputado. O que nesta quinta-feira foi uma "guerra de versões" se tornaria "confrontação de documentos", conclui.

Urna eletrônica e o teste de integridade

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A Câmara rejeitou e arquivou a discussão sobre o voto impresso – eram precisos 308 votos, mas a proposta teve apoio de 229 deputados. Mesmo após a derrota, o presidente Bolsonaro insistiu na ideia de que as eleições de 2022 não serão confiáveis, questionando o sistema da urna eletrônica. Agora, ministros do TSE, do STF e líderes do Congresso procuram convergir para uma solução que não mude em nada o modelo eleitoral, mas que responda à onda de desconfiança. Neste episódio Natuza Nery, conversa com Julia Duailibi, colunista do G1 e jornalista da GloboNews. Julia conta como está sendo costurada nos bastidores uma proposta para aumentar a amostragem do teste de integridade da urna eletrônica, medida que seria acompanhada de comissões de fiscalização maiores e mais prazo para a análise do código fonte. “É uma resposta para dar atenção às queixas", explica Julia. A medida "só aumenta a transparência e mostra o quão seguro é”, afirma. Mas não deve ser suficiente. “Para Bolsonaro, tanto faz. A discussão serve a seus propósitos políticos”. Participa também Vitor Marchetti, cientista político e professor de políticas públicas da UFABC. Ele explica como é realizado o teste de confiabilidade das urnas e detalha o processo de auditoria dos votos.

Bolsonaro e as Forças Armadas

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"Fraqueza travestida de força." É assim que Raul Jungmann, ex-deputado e ex-ministro da Defesa, classifica o desfile militar de terça-feira em Brasília. Convidado de Natuza Nery neste episódio, Jungmann detalha como Jair Bolsonaro "busca criar a ilusão de ter as Forças Armadas ao seu lado". Para ele, o presidente faz uso "inadequado e equivocado" das forças militares e tenta provocar tumulto ao constranger o Congresso. O desfile patrocinado pelo presidente aconteceu hora antes de a Câmara votar a PEC do voto impresso – proposta que foi rejeitada e arquivada, em uma derrota para o presidente. Jungmann narra ainda o movimento, dentro do Planalto, de tentar desmobilizar o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Oliveira. Ele chama atenção para a hipótese de Bolsonaro incitar distúrbios caso seja derrotado nas urnas em 2022. "Estaremos diante de um impasse constitucional", conclui.

Brasil: peça-chave contra mudanças climáticas

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A conclusão do relatório da ONU sobre o clima não é nada animadora: até metade do século a temperatura do planeta irá aumentar, independentemente das medidas adotadas por países. E as consequências já não são mais para o futuro, mas, sim, para o presente – entre elas, derretimento recorde de geleiras, secas prolongadas e enchentes. “O Brasil tem que se preocupar com os impactos disso, que estarão bem distribuídos em todo o território nacional”, diz Mercedes Bustamante, professora do Departamento de Ecologia da UnB, que atua no Painel Intergovernamental de sobre Mudanças Climáticas, o IPCC. Em entrevista a Natuza Nery, Mercedes alerta sobre o risco de vermos triplicar os efeitos de eventos climáticos extremos a cada 0,5 °C a mais na atmosfera terrestre. Fala também das consequências diretas ao país, aumentando a vulnerabilidade social e comprometendo o crescimento econômico, sobretudo ao limitar a capacidade do agronegócio. “Precisamos retomar a econômica com os olhos para o século 21, não mirando o retrovisor”. Responsável por 4% a 5% das emissões globais de gases de efeito estufa, o Brasil está na “contramão do mundo”, explica Raoni Rajão, professor da UFMG e coordenador do Laboratório de Gestão de Serviços Ambientais. A lista de razões é ampla: investimento em energia baseada em combustíveis fósseis, agronegócio mais poluente e, principalmente, a crescente destruição das florestas. “Plantar árvore é a melhor tecnologia para ajudar o planeta”, conclui.

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